Passei as duas últimas semanas na praia. Em relação ao tempo, essas duas semanas não poderiam ter sido escolhidas de forma pior. Chuva incessante do primeiro ao último dia (que foi adiantado em 24h, pois ninguém aguentava mais o tempo). Esse tempo ocasionou um certo problema: a falta do que fazer. Ir a praia não era uma opção, nem ir ao centro, pois chovia demais até mesmo para isso. Ficar em casa se tornou a melhor ideia. Agora, casa alugada e pequena, com sofá desconfortável e em um numero proporcionalmente menor do que o número de habitantes da casa, só piorava a situação.
Decidi ler. Não foi uma decisão muito revolucionária, para ser bem sincera. Sempre vou munida de vários livros para a praia e leio todos antes de voltar. Mas acho que esses dias em que fiquei "incubada" em casa me trouxeram outra face da leitura que antes eu simplesmente não observava.
Li alguns livros realmente emocionantes. Deixavam a desejar um pouco na forma como eram escritos, apesar de seu autor ser bem conceituado. Mas ok, romances adolescentes deixaram de ser meus favoritos a alguns anos, e eu sabia que estaria me arriscando ao comprar um box com quatro livros do mesmo autor, especialmente sobre esse tema. Chorei lendo todos eles. Quem me conhece, sabe que eu sou a legítima torneirinha: choro excessivamente. Mas esses livros realmente me tocaram. Depois desses, li um romance policial muito bom, e finalmente me senti em casa novamente. E foi com esse livro que eu percebi qual a diferença que a leitura dá para minha vida.
Ao terminar de ler cada um deles, apliquei a mensagem deles ao momento que vivia, sem nem ao menos perceber. Isso me deu a oportunidade de observar meus problemas, ansiedades e todos os outros sentimentos de outra forma, pois não analisei-os da forma que costumo fazer. Não foi aplicando meus valores nem nada do tipo. Simplesmente apliquei algo que o livro em si passou para mim, e consegui uma nova perspectiva. Percebi estar errada em algumas situações e decidi ser mais flexível em outras.
Essa é a importância dos livros para mim. Sempre vai haver algo novo para observar.
Um livro novo sempre vai te dar uma nova perspectiva.
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Making momma so proud.

Ultimamente tenho escutado muitas pessoas falando sobre as crianças e seu desejo cada vez maior de crescer. Parece que elas não tem conseguido aproveitar a fase da vida pela qual passam, querendo sempre estar um passo a frente, aparentando mais do que elas de fato são. Realmente, concordo com o fato de que cada vez mais essa tendência vem crescendo, mas não tenho tanta certeza em relação aos que dizem que isso seria errado.
O maior argumento dado pelos que são contra essa pressa é que as crianças estão perdendo um período de sua vida que nunca poderão viver novamente, e que, se não bem aproveitado, pode trazer problemas no futuro. Não sei, para mim isso sempre pareceu algo natural. Talvez brincar de gente grande não devesse ser algo levado de uma forma tão séria, e sim interpretado com a mesma conotação que as crianças dão à brincadeira.
Eu, quando criança, sonhava em ser adolescente. Queria ter namorados, queria me maquiar, usar roupas lindas, pintar as unhas... Nenhum desses fatores é algo que uma criança faz com naturalidade, certo? É exatamente esse o meu ponto. As crianças sonham com o momento em que se tornarão "grandes" e, certo, brincam de ser adultos. Que mal faz a criança pintar suas unhas com esmaltes infantis ou se arrumar com as maquiagens da mãe de vez em quando? Isso se torna uma atividade divertida, que faz com que as elas aproveitem sim o momento no qual vivem (ou você já viu alguém maquiado da mesma forma que uma criança brinca de se maquiar?) sonhando com o que serão um dia. Claro, sem exageros.
Enquanto as crianças puderem se divertir dessa forma, aproveitando o presente se divertindo com o futuro, dou meu apoio. E, pais preocupados, por favor deixem essa paranóia de lado: o que seu filho faz é exatamente o que você fazia muitos anos atrás.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Falso Patriotismo

Copa do Mundo. Não sei como funciona em outros países, mas se você mora no Brasil, é impossível viver sem ter sua rotina alterada por causa dela. Escolas modificam o horário das aulas, pessoas deixam de trabalhar e até consultas médicas são desmarcadas por causa dos jogos (falo por experiência própria). Nessa semana, só ouvimos falar sobre a expulsão do Kaká, a eliminação da Itália e as famosas vuvuzelas.
É claro que alguns não conseguem se conformar com toda essa alteração de rotina simplesmente por um jogo de futebol. É aí que começam a falar "brasileiro só vira patriota em época de Copa do Mundo". E metade da nação (aquela mesma nação que adora não ter aula para assistir aos jogos) concorda. Sinto muito, mas não posso dizer o mesmo. Não vou usar aquele antigo argumento do "futebol é a única coisa que o Brasil sabe fazer", porque também não acredito nisso. Ok, talvez paralisar o país inteiro por causa de uma partida de futebol seja algo desnecessário. Um certo exagero. Mas isso não quer dizer nada.
Concordo com o fato de que brasileiros não são patriotas. Onde eu moro é fácil ouvir pessoas dizendo que tem orgulho de serem gaúchas, porém é uma extrema raridade ouvir alguém comentando que tem orgulho de ser brasileiro. Por algum motivo, nosso país foi sendo desvirtuado por seus próprios habitantes, e no fim, ser brasileiro "não vale nada". Difícil será me convencer de que brasileiros viram patriotas apenas pela Copa do Mundo.
Pois os brasileiros que nunca foram patriotas nao viram patriotas nessa época. No dicionário, patriota: "Pessoa que ama a sua pátria e procura servi-la". Não vejo disso na Copa. O que eu vejo são milhares de pessoas torcendo por seu país, vibrando por vitórias, chorando por derrotas. Pessoas que se importam em fazer bem o que sabem que tem capacidade de fazer. Se eu fosse perder um centavo por todos os carros com bandeirinhas do Brasil que já vi esse ano, estaria pobre. Mas para que essas pessoas torcem? Para o time.
Simples assim. Toda essa torcida é para um time. E ao meu ver, isso nao é patriotismo. No momento em que os brasileiros em geral souberem cantar o hino, poderemos chamá-los de patriotas. No momento em que as pessoas começarem a se importar com a política do país, poderemos chamá-las de patriotas. Posso listar mais milhares de exemplos sobre que características tornam uma pessoa patriota, e futebol nunca será uma delas. Saber a escalação do Brasil no próximo jogo não torna ninguém patriota, e sim fanático.
Então, por favor, parem de reclamar sobre esse falso patriotismo inexistente. Antes disso, pensem um pouco sobre o que vocês querem para seu país. Decorem o dia da independência do Brasil, e depois venham me falar sobre patriotismo.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
A real sobre contos de fadas.

Com o dia dos namorados se aproximando cada vez mais, olho ao meu redor para ver o cenário caótico e depressivo que está sendo construído. Quero dizer, o dia 12 de junho traz muita felicidade para todos que irão passá-lo com seu amor (por motivos muito claros). Só não consigo entender o outro lado do dia dos namorados: o lado depressivo e melancólico que parece abater cerca de 80% dos indivíduos do sexo feminino (nesse caso, as desacompanhadas).
Juro que não entendo. Qual é o grande problema em estar sozinha, afinal? Qual a dificuldade em passar o dia dos namorados como qualquer outro dia normal, vivendo como você viveu até agora? Claro, esse dia é um lembrete gigante que diz: VOCÊ ESTÁ SOZINHA. E daí?
Meu objetivo não é escrever um texto de auto-ajuda dizendo que, mesmo estando solteira, você é linda, maravilhosa e um dia vai encontrar seu príncipe encantado. Primeiro, porque se você fosse linda, de fato teria um namorado (brincadeirinha pessoal, brincadeirinha...). Bem, brincadeirinhas à parte, voltamos para o assunto... Primeiro, eu sou uma das pessoas que nunca poderá te dizer o quanto você é linda e maravilhosa porque eu simplesmente não te conheço, e não estou em um humor adequado para ficar puxando o saco de qualquer um sensível o suficiente para ficar abalado pelo dia dos namorados. Segundo, porque eu tenho certeza de que se você fica deprimida por passar esse dia sozinha, o seu objetivo é um príncipe que venha a cavalo e seja o homem mais fofo, lindo, sexy, inteligente, respeitoso, engraçado e másculo do universo. Ou seja, você procura um homem perfeito. E um desses, vai ser difícil de encontrar.
Não quero que você me ache cética por não acreditar em príncipes (sou cética por outros motivos), porque, uma grande verdade sobre a minha pessoa, é que eu acredito sim em príncipes. Só não com esse nome, porque aí tudo fica meio old fashion demais para o meu gosto. As meninas que procuram por príncipes já criaram em suas mentes um perfeito estereótipo do que querem, tanto física quanto psicologicamente. E é aí que complica; pois o que procuram é um ideal de perfeição que não será alcançado por elas.
Agora que você me pergunta: mas você não disse que acredita em príncipes? Sim, acredito. Mas não os que seguem ideais de beleza e se comportam exatamente do jeito que suas princesas desejam. Você só encontrará seu príncipe quando largar o estereótipo criado em sua cabeça. Aí sim você o encontrará: talvez não tão bonito quanto você queria, e nem tão perfeito como em seus sonhos. Mas é seu. E o importante mesmo é o amor que une vocês dois. Você não vai encontrar um homem perfeito, mas poderá encontrar o homem perfeito para você, com todos os defeitos que você nunca desejou, porém aprendeu a conviver com. Afinal, defeitos não nos faltam, da mesma forma que amor não faltará...
Não queria que esse texto se tornasse meloso e clichê como se tornou. Mas espero que tenha feito você repensar sua obsessão pelo dia 12 de junho, e parar de procurar incansavelmente por seu príncipe vindo a cavalo. De qualquer jeito...
Feliz dia dos namorados.
terça-feira, 25 de maio de 2010
Diga-me quem és, e não com quem andas
Diga-me com quem andas e te direi quem és. Já ouviu essa frase? Possivelmente, milhões de vezes. A primeira vez que você ouviu foi com a sua mãe: você estava falando sobre algum amigo que lhe trouxe problemas, ou alguma amizade considerada uma “má influência”. E então sua mãe falou isso. E tua única resposta foi: “Ai mãe, chega”. Então, um tempo depois, uma colega sua falou isso. Em algum momento esse assunto chegou, e ela quotou perfeitamente as palavras de sua mãe. A verdade é que são inúmeras as vezes que ouvimos alguém falando essas exatas palavras, e todos que já a ouviram alguma vez passaram a frase em diante. É, bem assim que o mundo funciona. Mas quantos desses que já disseram essa frase pararam para pensar sobre seu significado?
Eu realmente nunca havia refletido sobre isso. Como boa parte dos ditos populares, poucos se questionam sobre os mesmos. Pergunte para um grupo de pessoas se eles concordam com essa frase, e com certeza alguns não hesitarão antes de responder que sim. Não posso assinar embaixo.
Ok, vou dar um exemplo. Verídico, ainda por cima. Foi o que me fez questionar sobre a verdade (ou falta dela) por trás dessa frase.
Em 2009, mudei de colégio (mais uma vez). Era meu terceiro colégio, e eu sinceramente estava rezando para que tudo desse certo e não fossem necessárias mais mudanças (ou não, a verdade é que aquela adrenalina de colégio novo é tri boa). Só sei que, logo de cara, percebi que as pessoas de lá (em sua maioria, pense que também haviam algumas exceções) não tinham o meu perfil. Não mesmo. Minhas colegas ouviam as músicas que eu abominei minha vida inteira, usavam as roupas que eu nunca conseguiria usar e até se tratavam de uma forma completamente diferente da qual eu estava acostumada. Me senti um verdadeiro peixinho fora d’água. No começo, foi complicado. Foi difícil encontrar algo em comum com alguma delas. Acho que passei por algumas fases, e a primeira certamente foi a relutância. Não sei lhe dizer o que mudou para mim (provavelmente foi a idéia de que dar uma chance a elas não seria tão ruim), mas posso dizer que alguns meses depois tinha encontrado amigas. Completamente diferentes de mim, mas ainda assim amigas.
Agora, vamos aplicar aquela frase lá de cima. Diga-me com quem andas e te direi quem és? Então, seria simples presumir que eu adoro um pagode e roupa de suplex (?) só porque eu ando com meninas que fazem esse estilo. Quem me conhece, sabe que eu odeio pagode e tenho pavor dessas calças abomináveis.
Então talvez esse ditado não funcione tão bem assim. Você pode dizer que eu sou apenas uma exceção, e talvez eu seja mesmo. Mas o que eu aprendi foi que não devemos julgar as pessoas por quem elas andam com. Por mais que seja difícil. Caso contrário, precisaremos de uma margem de erro bem grande.
Eu realmente nunca havia refletido sobre isso. Como boa parte dos ditos populares, poucos se questionam sobre os mesmos. Pergunte para um grupo de pessoas se eles concordam com essa frase, e com certeza alguns não hesitarão antes de responder que sim. Não posso assinar embaixo.
Ok, vou dar um exemplo. Verídico, ainda por cima. Foi o que me fez questionar sobre a verdade (ou falta dela) por trás dessa frase.
Em 2009, mudei de colégio (mais uma vez). Era meu terceiro colégio, e eu sinceramente estava rezando para que tudo desse certo e não fossem necessárias mais mudanças (ou não, a verdade é que aquela adrenalina de colégio novo é tri boa). Só sei que, logo de cara, percebi que as pessoas de lá (em sua maioria, pense que também haviam algumas exceções) não tinham o meu perfil. Não mesmo. Minhas colegas ouviam as músicas que eu abominei minha vida inteira, usavam as roupas que eu nunca conseguiria usar e até se tratavam de uma forma completamente diferente da qual eu estava acostumada. Me senti um verdadeiro peixinho fora d’água. No começo, foi complicado. Foi difícil encontrar algo em comum com alguma delas. Acho que passei por algumas fases, e a primeira certamente foi a relutância. Não sei lhe dizer o que mudou para mim (provavelmente foi a idéia de que dar uma chance a elas não seria tão ruim), mas posso dizer que alguns meses depois tinha encontrado amigas. Completamente diferentes de mim, mas ainda assim amigas.
Agora, vamos aplicar aquela frase lá de cima. Diga-me com quem andas e te direi quem és? Então, seria simples presumir que eu adoro um pagode e roupa de suplex (?) só porque eu ando com meninas que fazem esse estilo. Quem me conhece, sabe que eu odeio pagode e tenho pavor dessas calças abomináveis.
Então talvez esse ditado não funcione tão bem assim. Você pode dizer que eu sou apenas uma exceção, e talvez eu seja mesmo. Mas o que eu aprendi foi que não devemos julgar as pessoas por quem elas andam com. Por mais que seja difícil. Caso contrário, precisaremos de uma margem de erro bem grande.
terça-feira, 11 de maio de 2010
O Show de... Julia?

Quando eu era criança, tinha um problema sério. Tão sério que alguns anos depois que problema já havia deixado de ser de fato um problema, cheguei a conversar com outras pessoas sobre isso, e para minha surpresa encontrei inúmeros indivíduos com a mesma paranóia que eu tinha. Bem, deixe-me explicar. Alguém já viu “O Show de Truman”? Nesse filme, Truman (um homem comum como você) descobre um dia que toda a sua vida não passa de um programa de televisão: seus amigos, sua família e todas as pessoas ao seu redor são atores contratados para criar... A vida de Truman. O show de Truman.
E esse era meu problema: eu acreditava piamente em ser protagonista de algum tipo de produção esquisita que escondia câmeras em minha casa e ditava cada palavra que os outros deveriam dizer. Realmente é um pensamento assustador para uma criança de seis anos. Hoje em dia (tendo perdido este medo) penso se não é uma característica extremamente narcisista e típica em crianças.
Digo narcisista de uma forma moderada e inocente, é obvio. Quando criança, nós não temos a mínima noção do mundo ao nosso redor. Sabemos que o Japão é muito longe e que o planeta é muito grande, mas só. Não vemos nada além de nosso próprio umbigo (o que nos levar a acreditar que somos protagonistas de uma produção megalomaníaca e afins). É claro que não estou criticando esse comportamento infantil, e seria boba se estivesse. São crianças. Mas é interessante conseguir entender como elas pensam, como eu um dia pensei. Desvendar o mistério por trás dos meus antigos sentimentos e vontades.
Nascemos e vivemos por um longo tempo acreditando em um mundo minúsculo. Apenas dando importância ao que podemos ver. Apenas dando importância a nós mesmos (vamos combinar que crianças são egocêntricas de uma forma muito inocente). Crescemos e começamos a tomar conhecimento do tamanho de nosso planeta, da quantidade de pessoas e de vidas que habitam aqui, junto de nós. É aí que os caminhos começam a se ramificar, e podemos ver os que têm ambição de fazer alguma diferença, deixar sua marca, e os que continuam olhando para o próprio umbigo (mas esse é um assunto extenso que eu deixo para outra hora).
Crescemos. Não encontramos câmeras escondidas na gaveta de meias ou dentro do pote de sucrilhos, e acabamos percebendo que talvez “O Show de Truman” não passe de um filme.
Só imagino como seria se continuássemos procurando pelas câmeras depois que a inocência infantil se foi. A única coisa que sei é que um termo muito superior à “narcisista” teria de ser inventado para descrever o lugar onde vivemos. Graças a deus crescemos.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Games e afins

Cada vez mais podemos ver vídeo games se popularizando no mundo inteiro. Com o crescimento eminente desse mercado, podemos também observar a grande variedade de jogos que vem sido criados, em virtude de agradar a diferentes faixas etárias e gêneros. Porém, percebemos também que cada vez mais jogos violentos vem ganhando seu espaço em meio aos consumidores. A grande questão é: estariam os jogos violentos gerando violência?
As opiniões são diversas, e podemos observar os dois lados. Se por um lado somos induzidos a sermos violentos, por outro temos a capacidade do discernimento, do certo e do errado. "Acho besteira essa coisa de 'video-games fazem mal para você'. Eu gosto de jogos violentos, meus amigos também e nós nunca nos metemos em briga. O problema é que os casos de gente que saí dando tiro por aí por causa de jogos ganham sempre muito destaque, mas olha quanta gente sai dando tiro por aí, todos dia, sem razão alguma? É muito fácil culpar video-game." conta o estudante de história Antônio Melo, 19.
Nem todos pensam como Antônio. Talvez o problema seja a influência dos jogos violentos em diferentes faixas etárias. O jogo com certeza não é visto e interpretado da mesma forma por Antônio, de 19 anos, quanto por uma criança, que com certeza está muito mais sujeita a se deixar ser influenciada por jogos. “Acho que sim, mas em crianças maiores, a partir de uns seis anos. Até porque todo mundo quer ter sucesso, e no videogame o jogador tem sucesso com aquela agressividade, sem ser punido por toda a violência. Toda essa exposição à violência dificulta para a criança discernir o que é saudável do que não é, eles acabam perdendo a noção de até onde podem ir sem machucar o outro.” diz a psicóloga Susana Gladys.
Inúmeras pesquisas sobre esse tema já foram realizadas anteriormente, e com certeza muitas ainda virão a serem feitas. Enquanto houverem problemas, sejam eles quais forem, serão procurados bodes expiatórios. Quando falamos de violência, talvez os video games cumpram esse papel: com certeza nunca poderemos dizer que a culpa é inteiramente dos jogos, mas sempre haverão as pessoas influenciadas.
sábado, 27 de março de 2010
A latinha

Sempre achei as crianças seres esquisitos. Quero dizer, todos amam crianças. Posso dizer que eu nunca fui apaixonada por elas, mas algumas me derretem. E eu consigo entender porque elas são tão apaixonantes; sua sinceridade, sua inocência.
O engraçado sobre elas, é que muitas vezes elas parecem prefirir o simples. Enquanto algumas pessoas, no mundo real, vivem em busca do celular mais novo, do computador mais rápido, do novo lançamento, as crianças se satisfazem com tão pouco... Dê a elas aquela cozinha de plástico que você viu na loja. Aquela que era muito cara, grande, e bonita. Tenho certeza de que a criança vai gostar. Um dia ela encontrará no chão uma latinha de coca-cola vazia. Em um instante ela estará se deleitando com as maravilhas de uma simples latinha.
Ela não se importa com a grandiosidade de seu brinquedo, ela não procura o mais caro, ela não procura o que ela possa exibir para os outros. Ela procura algo que possa diverti-la. E porque uma latinha não desempenharia bem esse papel?
Eu espero que as crianças nunca percam sua inocência. Nunca percam esse brilho, nunca percam a humildade. Talvez a culpa seja nossa; as apresentamos pequenos grandes brinquedos, deixando de lado as pequenas coisas de nosso dia a dia que podem fazer uma criança feliz.
Foto: Getty Images
sábado, 20 de março de 2010
As (nem tão) polêmicas pulseiras
Jornais, sites e revistas falam sobre a imensa polêmica que as pulseiras do sexo vem causando. Pais proibiram suas filhas de usarem as pulseiras, escolas fizeram o mesmo. Adultos ficaram chocados com a ideia de que suas "crianças" estariam participando de algo tão... primitivo, seria a palavra? Enfim. Polêmica é o que essas pulseiras vem causando.
Porém, eu nunca entendi essa polêmica. Tempestade em copo dágua. Quero dizer; realmente é horrivel alguém usar uma pulseira colorida para determinar o que irá fazer com outra pessoa, como se fosse um jogo. Mas sinceramente... nunca ouvi falar de ninguém que tenha realmente usado pulseiras com esse motivo. Os pais, preocupados, pensam que todo mundo usa as pulseiras para isso. Alguém ouviu esse boato e ele foi rolando, até todos os adultos pensarem que a juventude atual se preocupa apenas com isso: sexo.
Fico pensando sobre as inúmeras meninas que usavam as tais pulseiras antes desses boatos começarem. Os pais de muitas delas as proibiram de usá-las, e pouco a pouco elas foram se extinguindo nas ruas. Cada um usa a pulseira por um motivo diferente, mas se uma das pulseiras for ragada por outra pessoa, quem poderia obrigar as meninas a cumprir a "penalidade" que existe por trás de cada cor?
Então, a polêmica das pulseiras do sexo existe, sim. Mas por motivo nenhum. Sei que devem existir meninas que usam as pulseiras com esse propósito, até porque o Brasil é um país grande e tem gente de tudo quando é tipo. Mas a polêmica que se criou ao redor disso foi se multiplicando, até chegar o momento em que existia a polêmica, mas não um motivo para ela.
Porém, eu nunca entendi essa polêmica. Tempestade em copo dágua. Quero dizer; realmente é horrivel alguém usar uma pulseira colorida para determinar o que irá fazer com outra pessoa, como se fosse um jogo. Mas sinceramente... nunca ouvi falar de ninguém que tenha realmente usado pulseiras com esse motivo. Os pais, preocupados, pensam que todo mundo usa as pulseiras para isso. Alguém ouviu esse boato e ele foi rolando, até todos os adultos pensarem que a juventude atual se preocupa apenas com isso: sexo.
Fico pensando sobre as inúmeras meninas que usavam as tais pulseiras antes desses boatos começarem. Os pais de muitas delas as proibiram de usá-las, e pouco a pouco elas foram se extinguindo nas ruas. Cada um usa a pulseira por um motivo diferente, mas se uma das pulseiras for ragada por outra pessoa, quem poderia obrigar as meninas a cumprir a "penalidade" que existe por trás de cada cor?
Então, a polêmica das pulseiras do sexo existe, sim. Mas por motivo nenhum. Sei que devem existir meninas que usam as pulseiras com esse propósito, até porque o Brasil é um país grande e tem gente de tudo quando é tipo. Mas a polêmica que se criou ao redor disso foi se multiplicando, até chegar o momento em que existia a polêmica, mas não um motivo para ela.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Modinha.

Modinha. Difícil encontrar alguém que não sabe o que é. Difícil encontrar alguém que nunca teve sua banda preferida transformada em uma. Difícil encontrar alguém que nunca tenha gostado de uma.
A verdade é que 90% dos adolescentes odeia a simples menção da palavra "modinha" (mesmo que eles mesmos sigam todas as modinhas possíveis). Ninguém quer admitir que sua banda é moda, que sua série é moda, que seu livro é moda. E se não tem jeito, se você é fã de Twilight ou até Cine (?), sempre tem a frase: "Ah, mas eu gostava antes de virar modinha" (eu mesma perdi a conta do número de vezes que pronunciei essas exatas palavras).
A verdade é que modinha tem seu lado bom. Você provavelmente nunca teria conhecido aquelas bandas ótimas que atualmente adora. A "modinha" te apresenta coisas novas, das quais você vai gostar... ou não. Simples assim.
Dizem que o real real problema é: a modinha vem causando alienação aos adolescentes, que não conseguem criar (ou defender) sua própria opinião e gostam apenas porque o resto do mundo também gosta. Mas, sinceramente, não acredito que isso seja, de fato, um problema! Somos adolescentes, mini pessoas, projeto de pessoas. Ninguém precisa saber com certeza do que gosta, ninguém precisa ter uma opinião formada sobre tudo.
Acho que essa é uma fase em que as modinhas são mais do que necessárias. Talvez com elas, nós, os projetos de pessoas, encontremos um caminho mais fácil para a pergunta "quem sou eu". Conhecemos de tudo, de Cine à Twilight (esses dois de novo?). Talvez agora não seja necessário uma opinião formada sobre os dois, talvez gostar dos dois seja suficiente. Conhecendo os dois, formamos nossas opiniões. Depois de se perder, a gente se encontra.
E é assim que a fase 'projeto de pessoas' é deixada para trás.
quinta-feira, 4 de março de 2010
She lives in her fairytale

Sempre acreditei que as pessoas só vêem o que elas querem ver. Eu sei que, infelizmente, faço parte dos que aderem a esse lifestyle. É claro que não é o tempo todo; seria impossível viver assim. Porém, em alguns momentos (principalmente os de dificuldade), parece apenas mais fácil ver o que eu quero ver, ao invés da realidade. O pior é que muitas vezes a linha entre a realidade e a fantasia é tênue. Eu sei que é ruim fazer isso, pois a realidade acaba caindo com um baque e destruindo tudo que você lutou com tanta persistência para fazer exatamente do jeito que você queria.
Sabe qual é o problema? Vidas perfeitas. Todos lutam tentando alcançar um nível de vida impossível de se chegar. Todos querem pensar que seu relacionamento, sua amizade, sua relação familiar está perfeita. Quando eu sei que tem algo errado comigo e com alguma dessas relações que me cercam, eu simplesmente não consigo falar sobre isso com ninguém. Porque, se eu falar, vai se tornar real. O problema é que já era a realidade, eu só estava lutando para não aceitá-la.
Deveríamos parar de buscar por vidas perfeitas, pois todos tem problemas. Talvez devessemos apenas aceitar a realidade como ela é, e parar de viver em nosso mundo de fantasias. E, no meio das "vidas perfeitas", encontramos algo que sempre é usado a nosso favor, mas apenas nos prejudica:
Você só vê o que quer ver.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Medo
Sempre fui uma pessoa muito medrosa. Do tipo que grita e até chora em filme de terror. Nunca entrei em tuneis do terror, odeio quando me dão sustos e começo a pular de nervoso quando estou com medo de alguma coisa. Mas quando eu era criança, meus medos consistiam basicamente em três coisas: escuro, vampiros e fogão.
Escuro. Se você não conhece nenhuma criança que tem medo de escuro, provavelmente convive muito pouco com crianças. Elas tem medo do racional e do irracional. Com certeza pode haver um fantasma, ou até o bicho papão. Do mesmo modo que um ladrão pode estar a espreita a partir do momento em que você apaga a luz. Acho que o medo do escuro é plausível: por mais que nada aconteça (e a chance de algo acontecer seja mínima), não conseguimos ver. O que, pelo menos para mim, é suficiente para dar medo.
Vampiros. Sempre tive pesadelos com eles. Era horrível, e o pior: com uma frequência alarmante. Mas sempre amei eles. Sua história me fascinava. Então, de dia eu lia livros e assistia filmes sobre eles com o maior prazer. De noite, lutava para deixá-los fora de minha mente. Um dia, acredito que tinha uns 9 anos, comecei a ler uma série de livros chamada "O Pequeno Vampiro". Me apaixonei. Ler aquela coleção era como viajar para outro mundo. Na minha mente infantil, eu era muito corajosa por ler aqueles livros. Porém, os sonhos continuavam. E essa é uma história engraçada, pois exatamente no dia que terminei o último livro da coleção, tive meu último pesadelo com vampiros.
Fogão. Infelizmente, tenho de culpar minha pobre mãe nesse ponto. Eu era pequena, e como qualquer criança, adorava brincar com tudo que aparecia na minha frente. Mamãe, receosa, me ensinou que eu não deveria brincar com o fogão, porque era perigoso. Mas eu não entendia como um fogão poderia ser perigoso! Afinal, todos os adultos brincavam nele. Então ela me explicou: se eu brincasse errado, poderia sair muito gás, o que poderia levar à um incêndio ou pior, uma explosão. Passei uns 10 anos com medo de que meu fogão explodisse.
Então. Agora tenho 14 anos. Não sou mais uma criança, mas posso dizer que nem tudo mudou. O escuro ainda me passa uma forte sensação de insegurança. Os vampiros, felizmente, consegui superar naquele episódio do Pequeno Vampiro. Já o fogão... melhor nem comentar.
Escuro. Se você não conhece nenhuma criança que tem medo de escuro, provavelmente convive muito pouco com crianças. Elas tem medo do racional e do irracional. Com certeza pode haver um fantasma, ou até o bicho papão. Do mesmo modo que um ladrão pode estar a espreita a partir do momento em que você apaga a luz. Acho que o medo do escuro é plausível: por mais que nada aconteça (e a chance de algo acontecer seja mínima), não conseguimos ver. O que, pelo menos para mim, é suficiente para dar medo.
Vampiros. Sempre tive pesadelos com eles. Era horrível, e o pior: com uma frequência alarmante. Mas sempre amei eles. Sua história me fascinava. Então, de dia eu lia livros e assistia filmes sobre eles com o maior prazer. De noite, lutava para deixá-los fora de minha mente. Um dia, acredito que tinha uns 9 anos, comecei a ler uma série de livros chamada "O Pequeno Vampiro". Me apaixonei. Ler aquela coleção era como viajar para outro mundo. Na minha mente infantil, eu era muito corajosa por ler aqueles livros. Porém, os sonhos continuavam. E essa é uma história engraçada, pois exatamente no dia que terminei o último livro da coleção, tive meu último pesadelo com vampiros.
Fogão. Infelizmente, tenho de culpar minha pobre mãe nesse ponto. Eu era pequena, e como qualquer criança, adorava brincar com tudo que aparecia na minha frente. Mamãe, receosa, me ensinou que eu não deveria brincar com o fogão, porque era perigoso. Mas eu não entendia como um fogão poderia ser perigoso! Afinal, todos os adultos brincavam nele. Então ela me explicou: se eu brincasse errado, poderia sair muito gás, o que poderia levar à um incêndio ou pior, uma explosão. Passei uns 10 anos com medo de que meu fogão explodisse.
Então. Agora tenho 14 anos. Não sou mais uma criança, mas posso dizer que nem tudo mudou. O escuro ainda me passa uma forte sensação de insegurança. Os vampiros, felizmente, consegui superar naquele episódio do Pequeno Vampiro. Já o fogão... melhor nem comentar.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Amor e Amor
" - Eu te amo.
- Ama mesmo, Rafael?
- Claro que amo!
- Mas nós nos conhecemos a uma semana!
- Escute... O tempo que passamos juntos, cada beijo, cada momento, foi muito especial para mim, Paloma.
- Uma semana, Rafael. É pouco tempo."
Essa história nunca aconteceu. Do mesmo modo que já aconteceu milhares de vezes.
Você ama sua família. Ama seus amigos. Ama seu namorado, ama seus colegas, ama seus vizinhos. Sua casa, seu cachorro, papagaio e tartaruga. Ama as pessoas que te rodeiam. Mas ama de formas completamente diferentes. Nem por isso deixa de ser amor. Hoje em dia, canso de ouvir pessoas reclamando: "Todo mundo diz 'eu te amo'. Eu te amo não é bom dia!". Eles estão certos. O "eu te amo" se popularizou. O "eu te amo" é jogado da boca para fora; ou não. O eu te amo pode ser verdadeiro, mas não da forma que você pensa.
Confuso? Ok, vamos retroceder um pouco. Pense... EU TE AMO. Pare. Reflita. O que vem a sua mente? Aposto que você pensou em um casal. Porque, quando pensamos em amor, pensamos nisso. Casais, namorados, marido e mulher. Desse jeito, acabamos menosprezando todos os outros pequenos círculos de amor, todas as outras formas de amor. Amor, aquele que o casal sente, parece demais para amigos. Mas não é do mesmo amor que estamos falando. Talvez aquele colega que diz "eu te amo" para você, realmente te ame. Talvez não. Mas talvez ele ame. Não da forma forte de um casal, mas de sua própria maneira.
Agora volte a pensar na história de Rafael e Paloma. Sabe qual o problema que ocorre ali? Paloma quer um momento especial. Quer que um dia, ao olhar para ela, ele perceba que a ama. Nesse momento, ele dirá "Eu te amo". Ela vai acreditar. Paloma não se importaria se tivesse de esperar meses até ter essa declaração. Porque o que ela quer, é verdadeiro. O problema é que Rafael desconhece esse amor. Ele a ama da forma que já amou muitas outras. E quando ele perceber, ou começar a amá-la da forma desejada, vai ser tarde demais. As palavras já não terão efeito algum sobre ela.
O amor de Rafael é válido, como qualquer amor é. Ele só não percebeu a diferença sutil, a linha tênue entre amor e amor. Ele ainda não notou que amor pode ser diferente.
Então. Rafaéis do mundo, venham aqui por um instante que tenho um pedido a lhes fazer. Parem um pouco e pensem sobre o seu amor. É suficiente.
- Ama mesmo, Rafael?
- Claro que amo!
- Mas nós nos conhecemos a uma semana!
- Escute... O tempo que passamos juntos, cada beijo, cada momento, foi muito especial para mim, Paloma.
- Uma semana, Rafael. É pouco tempo."
Essa história nunca aconteceu. Do mesmo modo que já aconteceu milhares de vezes.
Você ama sua família. Ama seus amigos. Ama seu namorado, ama seus colegas, ama seus vizinhos. Sua casa, seu cachorro, papagaio e tartaruga. Ama as pessoas que te rodeiam. Mas ama de formas completamente diferentes. Nem por isso deixa de ser amor. Hoje em dia, canso de ouvir pessoas reclamando: "Todo mundo diz 'eu te amo'. Eu te amo não é bom dia!". Eles estão certos. O "eu te amo" se popularizou. O "eu te amo" é jogado da boca para fora; ou não. O eu te amo pode ser verdadeiro, mas não da forma que você pensa.
Confuso? Ok, vamos retroceder um pouco. Pense... EU TE AMO. Pare. Reflita. O que vem a sua mente? Aposto que você pensou em um casal. Porque, quando pensamos em amor, pensamos nisso. Casais, namorados, marido e mulher. Desse jeito, acabamos menosprezando todos os outros pequenos círculos de amor, todas as outras formas de amor. Amor, aquele que o casal sente, parece demais para amigos. Mas não é do mesmo amor que estamos falando. Talvez aquele colega que diz "eu te amo" para você, realmente te ame. Talvez não. Mas talvez ele ame. Não da forma forte de um casal, mas de sua própria maneira.
Agora volte a pensar na história de Rafael e Paloma. Sabe qual o problema que ocorre ali? Paloma quer um momento especial. Quer que um dia, ao olhar para ela, ele perceba que a ama. Nesse momento, ele dirá "Eu te amo". Ela vai acreditar. Paloma não se importaria se tivesse de esperar meses até ter essa declaração. Porque o que ela quer, é verdadeiro. O problema é que Rafael desconhece esse amor. Ele a ama da forma que já amou muitas outras. E quando ele perceber, ou começar a amá-la da forma desejada, vai ser tarde demais. As palavras já não terão efeito algum sobre ela.
O amor de Rafael é válido, como qualquer amor é. Ele só não percebeu a diferença sutil, a linha tênue entre amor e amor. Ele ainda não notou que amor pode ser diferente.
Então. Rafaéis do mundo, venham aqui por um instante que tenho um pedido a lhes fazer. Parem um pouco e pensem sobre o seu amor. É suficiente.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Welcome to the Jungle
Ao entrar na escola, era fácil perceber a animação contida que rolava por ali. Ninguém estava satisfeito porque as férias haviam terminado, mas primeiro dia de aula é assim mesmo. Nos dirigimos ao salão, onde sempre vamos no início do ano letivo. Ao subir as escadas que levavam até lá, era fácil distinguir o comportamento de cada um. Aqueles sem mochila, jurando que no primeiro dia de aula não haveria nada importante. Os super animados, gesticulando enquanto conversavam com os amigos que não viam a certo tempo. Os convencidos, que se julgam melhores do que você e ocasionam muitas pessoas se chocando contra as outras no caminho (até parece que eles irão dar um passo ao lado para dar espaço a outra pessoa). E eu caminhava com minha amiga, me sentindo despreparada e, é claro, morrendo de sono. Bem vindos de volta a escola. O que passou por minha cabeça foi "Welcome to the jungle".
Todos reunidos, ninguém cala a boca, os novos professores são apresentados, os velhos professores também... Vocês sabem. Começa o discurso de sempre: "Hoje é o primeiro dia do resto de nossas vidas", "Estamos aqui para ajudar vocês à construir o seu futuro", "Onde você se imagina em 10 anos?", e tudo aquilo. Depois de uma eternidade de conversas, apresentações informais, matação de saudade e avisos dados, nos dirigimos a nossas salas.
Os alunos novos sozinhos, nos cantos da sala, tentando achar alguém compreensivo para sentar com eles. Você vê eles te olhando, te avaliando, pensando: "será que essa vai ser minha melhor amiga pro resto da minha vida?", ao mesmo tempo que sofrem 30 vezes mais avaliações. Os que pareceram suficientemente bem entrosados, são acolhidos, e os outros deixados de lado.
Professor entra, professor sai. Alguns se "contentam" em falar sobre sua vida, onde fez a faculdade, pós graduação, mestrado, se é casado, tem filhos... Alguns mantém sua pose rígida. Quase todos fazem piadinhas irônicas em algum momento. Alguns deles passam um dever de casa, só para mostrar que as férias, de fato, acabaram.
Recreio. Bar lotado, 15 minutos só para conseguir algo para comer. Todos reclamam da inflação que houve durante as férias naquele lugar, "Onde já se viu um cachorro quente por esse preço?". Hora de reclamar dos professores, das aulas, e de tudo que é possivel, só para não perder o hábito. Logo o recreio acabou sem você nem sequer perceber.
Após o recreio, a postura da turma mudou. Agora são poucos os alunos novos que continuam sozinhos (e tenho certeza que esses também farão amigos rapidamente). Olho ao meu redor para ver o que está diferente. Pois é, parece que nada está diferente. As piriguetes novas se juntaram com as piriguetes velhas, como já estava previsto nas estelas.
É, parece que tudo voltou ao normal.
Todos reunidos, ninguém cala a boca, os novos professores são apresentados, os velhos professores também... Vocês sabem. Começa o discurso de sempre: "Hoje é o primeiro dia do resto de nossas vidas", "Estamos aqui para ajudar vocês à construir o seu futuro", "Onde você se imagina em 10 anos?", e tudo aquilo. Depois de uma eternidade de conversas, apresentações informais, matação de saudade e avisos dados, nos dirigimos a nossas salas.
Os alunos novos sozinhos, nos cantos da sala, tentando achar alguém compreensivo para sentar com eles. Você vê eles te olhando, te avaliando, pensando: "será que essa vai ser minha melhor amiga pro resto da minha vida?", ao mesmo tempo que sofrem 30 vezes mais avaliações. Os que pareceram suficientemente bem entrosados, são acolhidos, e os outros deixados de lado.
Professor entra, professor sai. Alguns se "contentam" em falar sobre sua vida, onde fez a faculdade, pós graduação, mestrado, se é casado, tem filhos... Alguns mantém sua pose rígida. Quase todos fazem piadinhas irônicas em algum momento. Alguns deles passam um dever de casa, só para mostrar que as férias, de fato, acabaram.
Recreio. Bar lotado, 15 minutos só para conseguir algo para comer. Todos reclamam da inflação que houve durante as férias naquele lugar, "Onde já se viu um cachorro quente por esse preço?". Hora de reclamar dos professores, das aulas, e de tudo que é possivel, só para não perder o hábito. Logo o recreio acabou sem você nem sequer perceber.
Após o recreio, a postura da turma mudou. Agora são poucos os alunos novos que continuam sozinhos (e tenho certeza que esses também farão amigos rapidamente). Olho ao meu redor para ver o que está diferente. Pois é, parece que nada está diferente. As piriguetes novas se juntaram com as piriguetes velhas, como já estava previsto nas estelas.
É, parece que tudo voltou ao normal.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Um pouco sobre discriminação
Era uma terça-feira, uma das últimas de minhas férias. Estava no shopping com minha mãe e minha avó, que queria me dar um presente. Eu procurava por uma peça de roupa específica, que não havia encontrado em loja nenhuma. Então decidi entrar na Animale (para quem não conhece, é uma marca com roupas mais sofisticadas, conhecida por ter preços mais, digamos, salgados) e ver se conseguia lá o que não havia conseguido no resto do shopping.
Entramos na loja. Estava vazia, exceto por uma mulher no caixa, pagando. Atrás do caixa, umas cinco atendentes da loja, conversando. Ao lado delas, a gerente. Enquanto esperava para ser atendida, dei uma olhada nas roupas. Eu esperei, mas o atendimento não chegou. Eu estava sendo obviamente ignorada por todas as atendentes e a gerente da loja. Agora eu pergunto para vocês: por que? O que justifica esse comportamento? Bem, a resposta é muito simples. Nós não tinhamos cara de quem tem dinheiro para comprar lá. Isso sinceramente me ofendeu, e muito. Não era mais uma questão de conseguir a tal saia que eu queria. Era uma questão de respeito.
Quero dizer, talvez eu não me vista como uma perua. Talvez não use maquiagem suficiente, roupas chiques o suficiente. Não sei. Mas isso com certeza não justifica o comportamento de deixar de dar atendimento a um cliente em potencial (sim, eu era uma cliente em potencial, pois minha avó teria dinheiro para comprar a saia) simplesmente por sua aparência.
Discriminação. Simples, e na frente de todo mundo. O pior é que eu tenho certeza de uma coisa: as atendentes foram instruídas a agir assim. A selecionar quem irão atender.
Saí da loja e fui gastar meu dinheiro em algum lugar que recebesse um pouco de respeito.
Entramos na loja. Estava vazia, exceto por uma mulher no caixa, pagando. Atrás do caixa, umas cinco atendentes da loja, conversando. Ao lado delas, a gerente. Enquanto esperava para ser atendida, dei uma olhada nas roupas. Eu esperei, mas o atendimento não chegou. Eu estava sendo obviamente ignorada por todas as atendentes e a gerente da loja. Agora eu pergunto para vocês: por que? O que justifica esse comportamento? Bem, a resposta é muito simples. Nós não tinhamos cara de quem tem dinheiro para comprar lá. Isso sinceramente me ofendeu, e muito. Não era mais uma questão de conseguir a tal saia que eu queria. Era uma questão de respeito.
Quero dizer, talvez eu não me vista como uma perua. Talvez não use maquiagem suficiente, roupas chiques o suficiente. Não sei. Mas isso com certeza não justifica o comportamento de deixar de dar atendimento a um cliente em potencial (sim, eu era uma cliente em potencial, pois minha avó teria dinheiro para comprar a saia) simplesmente por sua aparência.
Discriminação. Simples, e na frente de todo mundo. O pior é que eu tenho certeza de uma coisa: as atendentes foram instruídas a agir assim. A selecionar quem irão atender.
Saí da loja e fui gastar meu dinheiro em algum lugar que recebesse um pouco de respeito.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Três casos
O cabelo dela ia até a cintura. Magra, quase esquelética. Alta. Ela gostava de passar o dia brincando com jogos. Quando perguntavam porque ela nunca tinha beijado, ela dizia: porque não tenho vontade. O quarto dela era cheio dos jogos que ela gostava, talvez tivesse até alguns dos ursos de pelúcia dos quais ela nunca conseguiu se separar.
O cabelo dele também era comprido. Para um menino, pelo menos. Até os ombros, talvez. Cheio de nós. Ele não era esquelético, bem pelo contrario. Um dos motivos para as pessoas "tirarem" com ele era seu peso. Ele gostava de passar o recreio lendo, no canteiro da escola. Rolavam boatos que ele cantava ópera.
A outra, não era gorda. Talvez tivesse tido uma fase mais cheinha, mas gorda não era. Seu quarto era rosa, e tinha vários corações espalhados pelos móveis. Gostava de Disney e essas coisas. Vestia as roupas que queria.
Três pessoas. Não são iguais, mas porque seriam diferentes? Três pessoas que poderiam olhar para você e falar muito bem sobre o bullying. Três vítimas.
A primeira, vejam bem, não tinha absolutamente nada de errado. Ninguém sabe porque ela nunca saiu da escola, pois teria inúmeros motivos. Era intimidada constantemente por colegas. Colegas que aprontavam, por sinal. Parece que esses colegas não tinham a mínima noção do mal que faziam a ela. Ou pior: sabiam o que faziam, mas nunca se envergonharam disso. Sabe, eu admiro ela. Por sua postura. Seus pais vivem desesperados para livrá-la do bullying. Ela tem uma postura meio "foda-se". Decidiu viver do seu jeito, e se os outros não gostam, o problema é deles. O único porém, é que eles fizeram disso o problema dela também.
O menino não tinha mãe. Era, sim, uma pessoa completamente diferente dos outros de sua idade, por seus gostos. Já havia estudado em quase todas as escolas de sua cidade, tentando fugir do mal que, poderia se dizer, o perseguia. Nunca conseguiu. Faz algum tempo que ele está fixo em sua escola, e o bullying não passou. A diferença é que ele encontrou um amigo.
A terceira foi vítima de bullying, sim. Não tem como negar. Quem nunca sofreu bullying, afinal? Mas então, pararam. Ninguém sabe o que mudou, mas os apelidos maldosos nunca mais foram ouvidos. Mas ela continua sendo "a coitadinha". Porque? Simplesmente porque ela gosta dessa posição. A posição de vítima. Ela tornou seu estado permanente, deixou pessoas compadecidas, e depois com nojo. Uma vez ela chegou a admitir que o que ela queria era chamar atenção.
Três casos que começaram de formas diferentes e tiveram todo seu desenvolvimento diferente. Essas pessoas vivem de formas diferentes. Reagiram de formas diferentes ao bullying. Mas lutaram. Então, não quero cair na mesmice ao falar isso. Não queria ser a pessoa que vai repetir o que você já ouviu um milhão de vezes. Mas vou. Porque enquanto as pessoas não mudarem, ainda haverá motivos para falarem.
Chega de bullying.
O cabelo dele também era comprido. Para um menino, pelo menos. Até os ombros, talvez. Cheio de nós. Ele não era esquelético, bem pelo contrario. Um dos motivos para as pessoas "tirarem" com ele era seu peso. Ele gostava de passar o recreio lendo, no canteiro da escola. Rolavam boatos que ele cantava ópera.
A outra, não era gorda. Talvez tivesse tido uma fase mais cheinha, mas gorda não era. Seu quarto era rosa, e tinha vários corações espalhados pelos móveis. Gostava de Disney e essas coisas. Vestia as roupas que queria.
Três pessoas. Não são iguais, mas porque seriam diferentes? Três pessoas que poderiam olhar para você e falar muito bem sobre o bullying. Três vítimas.
A primeira, vejam bem, não tinha absolutamente nada de errado. Ninguém sabe porque ela nunca saiu da escola, pois teria inúmeros motivos. Era intimidada constantemente por colegas. Colegas que aprontavam, por sinal. Parece que esses colegas não tinham a mínima noção do mal que faziam a ela. Ou pior: sabiam o que faziam, mas nunca se envergonharam disso. Sabe, eu admiro ela. Por sua postura. Seus pais vivem desesperados para livrá-la do bullying. Ela tem uma postura meio "foda-se". Decidiu viver do seu jeito, e se os outros não gostam, o problema é deles. O único porém, é que eles fizeram disso o problema dela também.
O menino não tinha mãe. Era, sim, uma pessoa completamente diferente dos outros de sua idade, por seus gostos. Já havia estudado em quase todas as escolas de sua cidade, tentando fugir do mal que, poderia se dizer, o perseguia. Nunca conseguiu. Faz algum tempo que ele está fixo em sua escola, e o bullying não passou. A diferença é que ele encontrou um amigo.
A terceira foi vítima de bullying, sim. Não tem como negar. Quem nunca sofreu bullying, afinal? Mas então, pararam. Ninguém sabe o que mudou, mas os apelidos maldosos nunca mais foram ouvidos. Mas ela continua sendo "a coitadinha". Porque? Simplesmente porque ela gosta dessa posição. A posição de vítima. Ela tornou seu estado permanente, deixou pessoas compadecidas, e depois com nojo. Uma vez ela chegou a admitir que o que ela queria era chamar atenção.
Três casos que começaram de formas diferentes e tiveram todo seu desenvolvimento diferente. Essas pessoas vivem de formas diferentes. Reagiram de formas diferentes ao bullying. Mas lutaram. Então, não quero cair na mesmice ao falar isso. Não queria ser a pessoa que vai repetir o que você já ouviu um milhão de vezes. Mas vou. Porque enquanto as pessoas não mudarem, ainda haverá motivos para falarem.
Chega de bullying.
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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Kiwi e Saudade
Saudade: Recordação suave e melancólica de pessoa ausente, local ou coisa distante, que se deseja voltar a ver ou possuir.
Saudade... da minha amiga.
Kiwi: Fruta, animal, ou pessoa.
Kiwi... é a minha amiga.
Um ano. Era o tempo que ela iria ficar distante. Distante é pouco, porque a Nova Zelandia é um poquinho mais do que distante. Ok, é basicamente do outro lado do mundo, e ser separada de uma pessoa, uma amiga tão importante para ti por tanta distância e tanto tempo é, bem, cruel. Mas tinha certeza de que quando passasse, todos diríamos: "nossa, como passou rápido!", mesmo que os dias tivessem se arrastado e o relógio não andasse.
Hoje eu a revi. Foi tudo. Tinhamos 365 dias de novidades para contar e 365 dias de saudade para matar. Por um lado foi engraçado; ainda tinhamos os mesmos assuntos, fofocávamos sobre as mesmas pessoas e nossos gostos eram muito parecidos. Nada havia mudado, afinal. Ela havia ganho um ano de experiência em um país completamente diferente. Eu havia ganho um ano de experiência sobre como controlar a saudade. Nos divertimos até confundindo pobre criancinhas dizendo que meu nome é Julia e o dela é... bem, Júlia (a criança não aceitou aquilo muito bem e achou que nós estávamos tentando enganá-la).
Depois de tudo isso, tenho: uma amiga Kiwi (neozelandeses também são conhecidos como Kiwis) e um chaveiro do animal Kiwi (sim, esse animal existe, procurem no google. Meu namorado diz que parece uma galinha, mas não é verdade).
Só faltou a fruta.
Ju (L)
Saudade... da minha amiga.
Kiwi: Fruta, animal, ou pessoa.
Kiwi... é a minha amiga.
Um ano. Era o tempo que ela iria ficar distante. Distante é pouco, porque a Nova Zelandia é um poquinho mais do que distante. Ok, é basicamente do outro lado do mundo, e ser separada de uma pessoa, uma amiga tão importante para ti por tanta distância e tanto tempo é, bem, cruel. Mas tinha certeza de que quando passasse, todos diríamos: "nossa, como passou rápido!", mesmo que os dias tivessem se arrastado e o relógio não andasse.
Hoje eu a revi. Foi tudo. Tinhamos 365 dias de novidades para contar e 365 dias de saudade para matar. Por um lado foi engraçado; ainda tinhamos os mesmos assuntos, fofocávamos sobre as mesmas pessoas e nossos gostos eram muito parecidos. Nada havia mudado, afinal. Ela havia ganho um ano de experiência em um país completamente diferente. Eu havia ganho um ano de experiência sobre como controlar a saudade. Nos divertimos até confundindo pobre criancinhas dizendo que meu nome é Julia e o dela é... bem, Júlia (a criança não aceitou aquilo muito bem e achou que nós estávamos tentando enganá-la).
Depois de tudo isso, tenho: uma amiga Kiwi (neozelandeses também são conhecidos como Kiwis) e um chaveiro do animal Kiwi (sim, esse animal existe, procurem no google. Meu namorado diz que parece uma galinha, mas não é verdade).
Só faltou a fruta.
Ju (L)
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Um guarda chuva amarelo
Tem gente que precisa ser diferente.
Não faz o que os outros fazem, porque assim iria chamar atenção ("imagina, eu? Querendo chamar atenção?"), mas assim que pode está em outro escândalo protestando contra qualquer bobagem que pareça ser, bom, diferente. E assim, consegue toda a atenção que queria inicialmente ("espera aí, eu nunca disse que queria atenção!"), e com um bônus: sendo diferente! Oh, joy.
É o mais indie dos indies. Gosta de ler os livros que não saem das prateleiras das livrarias, pois ninguém quer. Ridiculariza os outros por sua "falta de cultura". Fuma e bebe (mas é claro, sem chamar atenção). Vive brigando com os pais desnecessariamente. Chora no meio da aula por alguma tragédia de sua vida pessoal, ou não. Se não chora, não chora nunca. É durão, forte, mas no fundo um imaturo. A única coisa que importa é ser o guarda-chuva amarelo no meio dos pretos.
Um dia vai perceber que querendo ser tão diferente, tu acaba sendo igual.
Não faz o que os outros fazem, porque assim iria chamar atenção ("imagina, eu? Querendo chamar atenção?"), mas assim que pode está em outro escândalo protestando contra qualquer bobagem que pareça ser, bom, diferente. E assim, consegue toda a atenção que queria inicialmente ("espera aí, eu nunca disse que queria atenção!"), e com um bônus: sendo diferente! Oh, joy.
É o mais indie dos indies. Gosta de ler os livros que não saem das prateleiras das livrarias, pois ninguém quer. Ridiculariza os outros por sua "falta de cultura". Fuma e bebe (mas é claro, sem chamar atenção). Vive brigando com os pais desnecessariamente. Chora no meio da aula por alguma tragédia de sua vida pessoal, ou não. Se não chora, não chora nunca. É durão, forte, mas no fundo um imaturo. A única coisa que importa é ser o guarda-chuva amarelo no meio dos pretos.
Um dia vai perceber que querendo ser tão diferente, tu acaba sendo igual.
A história dos 1000 pares de sapato
Não vou mentir. Admito que eu sempre quero alguma(s) coisas. Atormento minha mãe pra conseguir mais dinheiro, dou mil motivos para ela de porque eu mereço a tal coisa, enfim, tento com muito afinco conseguir o que é, com certeza, essencial para mim. Ela está certa quando diz que, se fosse atender todos os meus pedidos, nós já estaríamos pobres (por deus, que ela não leia isso).
Por outro lado, sei, tenho certeza absolutíssima, que o meu caso não é o pior. Convivo com pessoas que vivem para mostrar suas coisas novas. Na minha aula de teatro, toda a sexta-feira a C. mostrava o que tinha de novo. Fui colega dela por um ano, e ela sempre teve jóias, sapatos, blusas, brilhos, maquiagens; enfim. Tudo novo. Era espantoso, porque toda a semana, ela chegava com uma nova variação de algo que ela já tinha. Geralmente era um colar, uma pulseira (com muito brilho, assim que ela gostava). Algumas das minhas colegas tinham inveja dela, mas eu acho que é desespero.
Outra situação: uma mulher aqui da minha cidade, que não usa a mesma roupa duas vezes. O closet dela é do tamanho da sala da minha casa, e se eu disser que ela tem mais de 1.000 pares de sapato não vou estar mentindo. Mas essa mulher, vou chamá-la de F (fulana), é amiga da S. A S, sempre que sai com ela, a proíbe de comprar um sapato novo. Pergunta se ela realmente precisa daquilo, e diz que ela já tem um muito parecido. O marido da F já disse: desde que ela começou a sair com a S, gastou muito menos. A F diz que a S é diferente: sua única amiga que não estimula a compra. Agora, vejam só. Todas as suas amigas a influenciam a ter coisas que sabem que são desnecessãrias, mas que querem ter, comprar, usar.
Todos somos um pouco consumistas. Alguns de nós sabem como controlar, outros não. Alguns encontram alguém para ajudar, alguns só encontram a sociedade, pressionando cada vez mais uma nova compra.
Sou jovem, e tenho uma mente consumista. Tenho certeza. Sempre quero algo. Mas devo ser uma consumista consciente (ou pobre), porque a maior parte de meus sonhos de consumo terminam lá em suas prateleiras, dentro da loja.
Melhor assim.
Por outro lado, sei, tenho certeza absolutíssima, que o meu caso não é o pior. Convivo com pessoas que vivem para mostrar suas coisas novas. Na minha aula de teatro, toda a sexta-feira a C. mostrava o que tinha de novo. Fui colega dela por um ano, e ela sempre teve jóias, sapatos, blusas, brilhos, maquiagens; enfim. Tudo novo. Era espantoso, porque toda a semana, ela chegava com uma nova variação de algo que ela já tinha. Geralmente era um colar, uma pulseira (com muito brilho, assim que ela gostava). Algumas das minhas colegas tinham inveja dela, mas eu acho que é desespero.
Outra situação: uma mulher aqui da minha cidade, que não usa a mesma roupa duas vezes. O closet dela é do tamanho da sala da minha casa, e se eu disser que ela tem mais de 1.000 pares de sapato não vou estar mentindo. Mas essa mulher, vou chamá-la de F (fulana), é amiga da S. A S, sempre que sai com ela, a proíbe de comprar um sapato novo. Pergunta se ela realmente precisa daquilo, e diz que ela já tem um muito parecido. O marido da F já disse: desde que ela começou a sair com a S, gastou muito menos. A F diz que a S é diferente: sua única amiga que não estimula a compra. Agora, vejam só. Todas as suas amigas a influenciam a ter coisas que sabem que são desnecessãrias, mas que querem ter, comprar, usar.
Todos somos um pouco consumistas. Alguns de nós sabem como controlar, outros não. Alguns encontram alguém para ajudar, alguns só encontram a sociedade, pressionando cada vez mais uma nova compra.
Sou jovem, e tenho uma mente consumista. Tenho certeza. Sempre quero algo. Mas devo ser uma consumista consciente (ou pobre), porque a maior parte de meus sonhos de consumo terminam lá em suas prateleiras, dentro da loja.
Melhor assim.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
O título de melhor amiga
Nunca pude me queixar de ter poucos amigos. Certo, também nunca tive muitos, mas dizer que não tinha seria mentira. Tive amigas de todos os tipos, e uma delas era a "melhor amiga" típica de quando nós somos mais novos, acredito eu.
Deixa eu explicar: sempre fui amiga da R, S, e da K. Desde os 2 anos. E elas sempre ocuparam um posto importante em questão de amizade na minha vida. Aí, apareceu a F (F de Fulana). Ela se tornou uma grande amiga para mim: nós sempre brigávamos, até por motivos ridículos, mas ela não deixava de ser importante. Ela tinha um problema. Precisava que eu dissesse para ela, umas cinco vezes por dia, que ela era minha melhor amiga. Porque, vejam bem, ela TINHA que ser minha melhor amiga. Mande a R, a S e até a K pastarem. A F tinha que ser a mais especial e única com esse título.
Eu sabia que isso era ridículo. Que não precisava provar minha amizade. Mas ela também ficava chateada se eu dissesse ter várias melhores amigas. Então, eu dizia que era ela. Ela ficava feliz, e a história terminava por aí (até que ela fizesse essa pergunta fatídica de novo). Hoje, dois anos depois, mal falo com ela.
Agora, onde eu quero chegar com essa história? Sim, eu acho que existem melhores amigos. Quer dizer, a existência deles, para mim, é bem real. Aquelas três, citadas no começo do texto, que apareceram 12 anos atrás na minha vida, são amigas. Porque elas são as melhores? É simples. Porque em toda a minha vida, elas foram as amigas que me deram apoio, que me fizeram cair na real, que tinham consciência dos meus defeitos mas nunca disseram que eu precisava mudar.
"Melhor amiga" não é um título para ser exibido para o mundo inteiro. Não é algo exclusivo. Melhor amiga é, bom, aquela amiga que você sabe que vai estar lá. Elas estiveram lá por mim nos últimos 12 anos. Não posso prever o futuro, e nem quero. São minhas melhores amigas: nunca precisaram que eu dissesse isso para elas. Do mesmo jeito que elas nunca precisaram me dizer isso.
Elas só... são.
Deixa eu explicar: sempre fui amiga da R, S, e da K. Desde os 2 anos. E elas sempre ocuparam um posto importante em questão de amizade na minha vida. Aí, apareceu a F (F de Fulana). Ela se tornou uma grande amiga para mim: nós sempre brigávamos, até por motivos ridículos, mas ela não deixava de ser importante. Ela tinha um problema. Precisava que eu dissesse para ela, umas cinco vezes por dia, que ela era minha melhor amiga. Porque, vejam bem, ela TINHA que ser minha melhor amiga. Mande a R, a S e até a K pastarem. A F tinha que ser a mais especial e única com esse título.
Eu sabia que isso era ridículo. Que não precisava provar minha amizade. Mas ela também ficava chateada se eu dissesse ter várias melhores amigas. Então, eu dizia que era ela. Ela ficava feliz, e a história terminava por aí (até que ela fizesse essa pergunta fatídica de novo). Hoje, dois anos depois, mal falo com ela.
Agora, onde eu quero chegar com essa história? Sim, eu acho que existem melhores amigos. Quer dizer, a existência deles, para mim, é bem real. Aquelas três, citadas no começo do texto, que apareceram 12 anos atrás na minha vida, são amigas. Porque elas são as melhores? É simples. Porque em toda a minha vida, elas foram as amigas que me deram apoio, que me fizeram cair na real, que tinham consciência dos meus defeitos mas nunca disseram que eu precisava mudar.
"Melhor amiga" não é um título para ser exibido para o mundo inteiro. Não é algo exclusivo. Melhor amiga é, bom, aquela amiga que você sabe que vai estar lá. Elas estiveram lá por mim nos últimos 12 anos. Não posso prever o futuro, e nem quero. São minhas melhores amigas: nunca precisaram que eu dissesse isso para elas. Do mesmo jeito que elas nunca precisaram me dizer isso.
Elas só... são.
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