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quarta-feira, 17 de março de 2010

Modinha.


Modinha. Difícil encontrar alguém que não sabe o que é. Difícil encontrar alguém que nunca teve sua banda preferida transformada em uma. Difícil encontrar alguém que nunca tenha gostado de uma.

A verdade é que 90% dos adolescentes odeia a simples menção da palavra "modinha" (mesmo que eles mesmos sigam todas as modinhas possíveis). Ninguém quer admitir que sua banda é moda, que sua série é moda, que seu livro é moda. E se não tem jeito, se você é fã de Twilight ou até Cine (?), sempre tem a frase: "Ah, mas eu gostava antes de virar modinha" (eu mesma perdi a conta do número de vezes que pronunciei essas exatas palavras).

A verdade é que modinha tem seu lado bom. Você provavelmente nunca teria conhecido aquelas bandas ótimas que atualmente adora. A "modinha" te apresenta coisas novas, das quais você vai gostar... ou não. Simples assim.

Dizem que o real real problema é: a modinha vem causando alienação aos adolescentes, que não conseguem criar (ou defender) sua própria opinião e gostam apenas porque o resto do mundo também gosta. Mas, sinceramente, não acredito que isso seja, de fato, um problema! Somos adolescentes, mini pessoas, projeto de pessoas. Ninguém precisa saber com certeza do que gosta, ninguém precisa ter uma opinião formada sobre tudo.

Acho que essa é uma fase em que as modinhas são mais do que necessárias. Talvez com elas, nós, os projetos de pessoas, encontremos um caminho mais fácil para a pergunta "quem sou eu". Conhecemos de tudo, de Cine à Twilight (esses dois de novo?). Talvez agora não seja necessário uma opinião formada sobre os dois, talvez gostar dos dois seja suficiente. Conhecendo os dois, formamos nossas opiniões. Depois de se perder, a gente se encontra.

E é assim que a fase 'projeto de pessoas' é deixada para trás.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Uma agulha no palheiro

Aborto. Tenho certeza que vou contra a maioria quando digo que sim, sou completamente a favor.

Eu tenho plena consciência dos diversos meios anticoncepcionais. E concordo que sim, cada casal deve ser responsável pela própria segurança e saber dos riscos que corre ao não seguir nenhum dos métodos possíveis. Sempre que esse assunto vem a tona, eu penso na mesma situação, e gostaria que vocês pensassem comigo.

Eu sei que a chance de isso acontecer não é muito grande, mas com certeza todos vocês já ouviram histórias de mulheres que engravidaram mesmo tendo usado métodos anticoncepcionais. Eu penso nessas pessoas, que fizeram como deveriam, que sabiam quais seriam as consequências caso não o fizessem. E, por algum acaso do destino, acabaram grávidas. Eu penso nessas pessoas, que não queriam que as coisas fossem desse jeito. Eu penso na infelicidade delas. Eu penso no peso, e não na felicidade que deveria ser para elas. O peso de cuidar de uma criança. O peso de ter de pensar por duas vidas, e não só a sua.

Acredito também que uma mãe adolescente nunca seria uma boa mãe. Por não ter maturidade o suficiente, por não ter um corpo preparado para isso, por ser a hora errada. Eu sei que talvez seja egoísmo, que talvez seja errado. Mas essa mãe não vai dar a melhor vida para sua criança. Não vai ter e nem dar a melhor vida.

Eu sei que cada caso é diferente. E que os meus argumentos não são válidos para a aprovação do aborto. Eu sei que eu mostrei um caso que representa uma porcentagem minúscula. Eu sei que nunca vou conseguir provar meu ponto de vista. Eu sei que minha opinião é uma agulha no palheiro. Mas não posso deixar de me expressar.

Eu penso em mães com uma vida estável. Mães saudáveis, preparadas. É assim que eu penso na maternidade.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

What would it be without you?

Todo mundo tem um motivo (e se não tem inventa) para escrever. Eu acredito que meus motivos sejam bem claros: escrevo porque preciso. Só dá aquela vontade inexplicável de escrever, e é isso. Então eu escrevo. Meu outro motivo, muito mais simples do que o primeiro, é que eu escrevo porque gosto. Porque isso se tornou um prazer para mim.

Eu sou o tipo de pessoa que gosta de dar sua opinião. Sobre tudo e qualquer coisa. O problema é que as vezes as pessoas não querem ouvir. Ou não se importam. E eu também não vou obrigá-las a ouvir algo que não as interessa. Então podemos dizer que esse blog não é nada mais nada menos do que a minha válvula de escape. Aqui, eu posso dar a minha opinião quando eu quiser, e quem quiser ouvir (nesse caso ler), pode fazer isso à vontade.

Tem gente que diz que escreve mas não quer ser reconhecido. Eu não acredito. Talvez eles pensem assim, mas no momento que seu blog se popularize, bom, obviamente eles vão gostar. Em todas as coisas que eu já fiz, patinação, teatro, música - ninguém quer ser ruim no que fez. Eu quero que as pessoas me leiam e gostem. Eu quero que elas leiam querendo mais. Eu quero, sim, ser reconhecida pelo que faço. Para mim, cada seguidor a mais é uma alegria. Pode parecer bobo, sim, mas eu me sinto reconhecida. Eu sinto o melhor. Sinto que meu trabalho, minha paixão, deu algum resultado.

Então, para finalizar. Talvez agora você me ache uma pessoa egocêntrica, exibida, chame-como-quiser. Leia de novo e perceba que não sou. Eu queria agradecer genuinamente para todos que já leram ao meu blog, que já deixaram um comentário estimulante ou uma crítica.

Sem isso eu não teria chegado onde estou, e sei que com isso eu ainda posso ir mais longe.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Meu eu passado, meu eu presente

"Ela era uma criança normal. Eu acho. Não sei, receio não ter um vasto conhecimento sobre crianças, e também não conheço muitas crianças com as quais eu poderia compará-la. O que posso dizer? Ela tinha cachinhos dourados. Olhos claros. Chorava como doida, e provavelmente aprendeu a suportar a dor do jeito que suporta quando ainda tinha essa idade. Criou inúmeros traumas; do chapéu favorito que o mar levou, do fogão que a mãe dizia que poderia explodir se ela brincasse, do cabelo que, por algum motivo (ou talvez fosse apenas seu azar) havia decidido nascer cacheado. Por outro lado, poderia ser considerada uma criança curiosa. Era apaixonada pelas 'tonas' (também conhecidas popularmente como azeitonas). Gostava de brincar com a avó de 'moça da pedra', brincadeira muito simples que consistia em começar a gritar com a avó por causa de uma pedra (imitando sua tia). Obviamente não havia maldade nenhuma, e as duas se divertiam reproduzindo uma situação real e hilária (pelo menos naquela idade ela considerava essa historia divertidíssima). Queria ser cantora, atriz, veterinária, guitarrista, bailarina, princesa, até que decidiu que seria nada mais, nada menos do que sereia. Simples, não? Ficava muito chateada que, nos filmes, as sereias sempre queriam ser humanas. E ela ali, morrendo de vontade de ser uma Ariel. Tinha um problema sério: era mandona ao extremo, e as coisas tinham que ser do seu jeito. Chorou muito no dia que bateu de cara no portão, e levou alguns pontos na testa (apesar de que, dessa cena, ela só lembra de correr em círculos, deslizar até o portão, e depois acordar no hospital chorando, esperneando, e sangrando). Tinha uma energia inesgotável, e adorava ler. Com 6 anos, teve vários namorados. Vááááários.

Ela é uma adolescente normal. Mentira. Bom, ela é tão normal quanto uma menina de 14 anos pode ser, tire suas próprias conclusões. Ainda tem o cabelo cacheado e os olhos claros. Infelizmente, ainda chora bastante (o problema deve ser que ela se deixa levar demais pelos sentimentos, perdendo um pouco da racionalidade). Algumas amigas acham que ela não sente dor, mas ela tem certeza de que a diferença é que ela sabe lidar como lidar com a dor física. Nunca a psicológica. Não tem muitos traumas, apesar de ainda pensar no chapéu perdido e só ter perdido o medo do fogão recentemente. Hoje, adora o cabelo cacheado (apesar de ser um porre na hora de acordar). Continua apaixonada por azeitonas (todos os tipos), e todas as comidas especiais. Falando em comida, ela adora. Experimenta todas: se não gostar, não gostou, o que fazer? Pelo menos provou. Não brinca mais da moça da pedra com a avó (que continua sendo chamada carinhosamente de vovó), e agora conversam sobre livros. Atualmente, não tem a menor idéia do que quer ser. Mas pretende decidir logo. Também quer estudar mais esse ano, e se dedicar mais ao que gosta (metas, prazos, objetivos, tudo isso). Mas ok, admite que ainda adoraria ser uma sereia. Daquelas lindas de morrer. Ainda tem a cicatriz na testa, que veio da batida no portão. Ainda ama ler, cada vez mais. Pelo menos agora, virou mulher de um homem só. Apaixonaaada..."

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A folha

Quando é pra falar de sexualidade, sou uma pessoa irritada. Me irrito com o preconceito, me irrito com a opinião dos outros. Escuto muito falar: "hoje em dia temos mais opções em relação a nossa sexualidade". Como se nós fossemos "escolher" nossa sexualidade.

Para mim, escolher sua sexualidade seria a mesma coisa que preencher uma folha de papel com a pergunta: "O que você quer ser? De quem você quer gostar?". Aí, você pensa, levanta os prós e contras, e marca a sexualidade que você quer. Pronto, escolheu, tá feito. Ninguém escolhe sua sexualidade! Duvido que qualquer homem que se sinta atraido pelo mesmo sexo tenha algum dia pensado "Ok, quero gostar de homens". Você se sente atraído. Você não se sente atraído. Meu ponto é: isso vem de dentro.

Você aceita a homossexualidade?
Vou te deixar pensando um pouco. Pensou? E então, o que decidiu? Aceita? Não aceita? Não importa. Deixe sua opinião de lado por alguns momentos e pense sobre isso: sua aceitação não vai mudar nada. Não vai fazer ninguém "mudar" sua sexualidade. Nesse exato momento, um casal homossexual está terminando. Outro está começando. Você não muda nada disso. Guarde sua aceitação, ou falta dela, para você mesmo, e tente viver sem preconceito.

Talvez, nesse exato momento, você esteja aí, se questionando sobre sua sexualidade. Talvez você esteja lutando contra o preconceito. Talvez esteja vendo o Big Brother e rindo dos "boiolas". Talvez não se importe.

Eu só tenho um pedido: não preencha a folha em que você analisa e decide sua sexualidade. Você nao deve explicações. Não deve motivações. E o que você realmente é, bom, ninguém pode tirar isso de você.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Mande Vinícius de Moraes pastar

Dizem que beleza é fundamental.

Quem disse? Os poetas. Os pensadores. Os músicos. Os escritores. Os famosos. Os normais, como eu e você. A verdade é: todo mundo concorda que beleza é, sim, fundamental. Mas fundamental para que?

Quer passar no vestibular? Beleza não é importante. Quer ir bem na escola? Beleza nunca teve nada a ver com isso. Quer escrever um livro? Pff, a menos que sair bonito na contracapa de seu livro seja essencial para você, ser bonito não importa. Se você me disser que quer ser modelo, bom, aí sim tenho de concordar que beleza é fundamental.

Agora, tirando esses casos egocêntricos e narcisistas (ok, vou tentar não generalizar, desculpe), podemos chegar a conclusão de que quem disse "beleza é fundamental" está errado. Dane-se Vinícius de Moraes. Quero dizer, aí está um exemplo: outro feioso exigindo beleza, que se deu muito bem na vida. Sem ser lindo.

O que eu quero dizer é: pare de se lamuriar, afundado na tristeza de não ser bonito, e vá viver um pouco. Tenho certeza absolutíssima de que a última coisa que vai te impedir de viver, é a beleza.

Ou a falta dela.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O título de melhor amiga

Nunca pude me queixar de ter poucos amigos. Certo, também nunca tive muitos, mas dizer que não tinha seria mentira. Tive amigas de todos os tipos, e uma delas era a "melhor amiga" típica de quando nós somos mais novos, acredito eu.

Deixa eu explicar: sempre fui amiga da R, S, e da K. Desde os 2 anos. E elas sempre ocuparam um posto importante em questão de amizade na minha vida. Aí, apareceu a F (F de Fulana). Ela se tornou uma grande amiga para mim: nós sempre brigávamos, até por motivos ridículos, mas ela não deixava de ser importante. Ela tinha um problema. Precisava que eu dissesse para ela, umas cinco vezes por dia, que ela era minha melhor amiga. Porque, vejam bem, ela TINHA que ser minha melhor amiga. Mande a R, a S e até a K pastarem. A F tinha que ser a mais especial e única com esse título.

Eu sabia que isso era ridículo. Que não precisava provar minha amizade. Mas ela também ficava chateada se eu dissesse ter várias melhores amigas. Então, eu dizia que era ela. Ela ficava feliz, e a história terminava por aí (até que ela fizesse essa pergunta fatídica de novo). Hoje, dois anos depois, mal falo com ela.

Agora, onde eu quero chegar com essa história? Sim, eu acho que existem melhores amigos. Quer dizer, a existência deles, para mim, é bem real. Aquelas três, citadas no começo do texto, que apareceram 12 anos atrás na minha vida, são amigas. Porque elas são as melhores? É simples. Porque em toda a minha vida, elas foram as amigas que me deram apoio, que me fizeram cair na real, que tinham consciência dos meus defeitos mas nunca disseram que eu precisava mudar.

"Melhor amiga" não é um título para ser exibido para o mundo inteiro. Não é algo exclusivo. Melhor amiga é, bom, aquela amiga que você sabe que vai estar lá. Elas estiveram lá por mim nos últimos 12 anos. Não posso prever o futuro, e nem quero. São minhas melhores amigas: nunca precisaram que eu dissesse isso para elas. Do mesmo jeito que elas nunca precisaram me dizer isso.

Elas só... são.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Adrenalina?

Em 2009 mudei de colégio (pela terceira vez, diga-se de passagem). Eu até gosto da aventura de ir para um lugar completamente novo com pessoas completamente desconhecidas para recomeçar e viver algo diferente. Para mim, é adrenalina. Mas dessa vez eu sabia que seria diferente. Meu futuro colégio era do tipo "tenso": piriguetes por todos os cantos, caras metidos a bondes, barraqueiras e todo o tipo de pessoa que eu não suporto. Mas, ok. Adrenalina.

Encontrei no meio de tudo isso, um nicho "emo" (pelo menos era assim que éramos reconhecidas pelo resto do colégio). Confesso que elas me salvaram de passar um ano meio assustada. Porém, nenhuma delas era da minha turma. Ah, sim, a minha turma. Tenso.

Na minha querida turma, conheci uma menina. Piriguete ao extremo. Alguns meses depois, poderia dizer que ela era uma de minhas melhores amigas, tendo certeza que o sentimento era recíproco.

Desse ano cheio de turbulências, pessoas indesejadas e influências nada legais, digo com muita certeza, meus amigos, que aprendi muito. Essa piriguete? Nunca imaginei que seria amiga dela. O que eu quero dizer é: saiam da sua zona de conforto. E dêem uma chance as pessoas. Mudei completamente meus conceitos e acho que aprendi a julgar menos as pessoas.

E descobri que piriguetes tem um coração, afinal.