quinta-feira, 19 de maio de 2011

140 caracteres

Na internet, todo o tipo de comentário é feito. Muitas pessoas não pensam antes de se posicionar, principalmente por estarmos em um meio cheio de liberdade e sem muitas limitações aparentes. Isso rendeu, para mim, o comentário mais impressionante e triste que já ouvi sair das palavras de alguém.

O Twitter é um site que nos permite realizar postagens curtas, sobre basicamente qualquer coisa que desejarmos. Todo mundo conhece a regra: precisamos expressar o que pensamos em apenas 140 caracteres. Nunca fui muito adepta dessa ferramenta: é interessante para saber o que acontece no mundo com uma velocidade impressionante, mas para mim é dificil me expor em tão poucas palavras. Minhas opiniões tomariam muito mais espaço, e as coisas que podem ser ditas com poucas delas simplesmente não interessariam a ninguém. Mas ok, de vez em quando estou por lá.

Aí me deparei com uma postagem em minha timeline (um retweet, o que me deixa ainda mais surpresa: como DUAS pessoas no mundo podem afirmar uma coisa dessas e ainda achar normal?) que dizia: "Uso tanto o twitter que agora também penso em 140 caracteres". Com uma naturalidade impressionante, essa pessoa consegue afirmar que pensa em 140 caracteres e não vê nada de errado nisso. Mas tem alguma coisa muito errada. Não aprendemos com nossa família, com a escola, com livros, que precisamos ter nossa própria opinião? Precisamos pensar fora da caixinha, precisamos nos impor?

Acho que não preciso me extender muito em porque acho isso algo tão horrível. Já li essa frase a algum tempo e ainda não a esqueci. Sinceramente, duvido que isso venha acontecer em breve. Porque essa pessoa que só queria ser legal e falou que gosta taaaaanto do twitter que começou a PENSAR do jeito que fala lá...
Me fez ter vergonha dessa geração que acha que passar o dia colado no computador é ótimo, que acha que livros são inúteis, maçantes e ultrapassados. Eu pensei que a nossa juventude - a minha juventude - fosse mais do que isso. É triste saber que posso estar enganada.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Memórias

Sempre achei que a pior doença de todas é o Alzheimer. Claro, não conheço todas as doenças do mundo e também nunca passei por dores relacionadas a elas, então a mim só cabe imaginar o sofrimento pelo qual elas podem te fazer passar. Também nunca sofri de Alzheimer e nunca tive nenhum parente próximo que sofreu. Para ser bem sincera, não conheço ninguém que tenha tido esse mal.

Desde pequena eu acredito que tudo que temos são nossas lembranças. Tenho certeza que parece clichê, mas de que vale... bem, de que vale absolutamente todos os bens materiais e psicológicos que temos durante toda nossa vida se um dia tudo será esquecido? Por isso sempre tive medo de perder a memória. Perderia todas as minhas alegrias, minhas decepções, e minhas dores, que não foram menos importantes do que os momentos felizes.

Não sei como iria viver com a presença do Alzheimer em minha vida. Imagino se alguém muito próximo de mim sofresse desse problema; eu veria passo a passo a doença se desenvolver. Poderia ver de primeira mão como alguém não se lembra do dia em que estamos e, algum tempo depois, não lembra das pessoas com quem conviveu durante toda a vida. É uma doença triste, essa. Não há a dor física presente em milhares de doenças horríveis das quais ouvimos falar todos os dias, mas há a dor psicológica. É uma doença que não apenas machuca quem a vive, como também quem a presencia.

Algumas coisas são inevitáveis. O destino, ou seja lá o que for, coloca coisas em nossa frente, sejam elas boas ou ruins. Para o meu destino, só peço uma coisa: não leve minhas lembranças, pois elas são tudo que tenho.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Perspectiva

Passei as duas últimas semanas na praia. Em relação ao tempo, essas duas semanas não poderiam ter sido escolhidas de forma pior. Chuva incessante do primeiro ao último dia (que foi adiantado em 24h, pois ninguém aguentava mais o tempo). Esse tempo ocasionou um certo problema: a falta do que fazer. Ir a praia não era uma opção, nem ir ao centro, pois chovia demais até mesmo para isso. Ficar em casa se tornou a melhor ideia. Agora, casa alugada e pequena, com sofá desconfortável e em um numero proporcionalmente menor do que o número de habitantes da casa, só piorava a situação.

Decidi ler. Não foi uma decisão muito revolucionária, para ser bem sincera. Sempre vou munida de vários livros para a praia e leio todos antes de voltar. Mas acho que esses dias em que fiquei "incubada" em casa me trouxeram outra face da leitura que antes eu simplesmente não observava.

Li alguns livros realmente emocionantes. Deixavam a desejar um pouco na forma como eram escritos, apesar de seu autor ser bem conceituado. Mas ok, romances adolescentes deixaram de ser meus favoritos a alguns anos, e eu sabia que estaria me arriscando ao comprar um box com quatro livros do mesmo autor, especialmente sobre esse tema. Chorei lendo todos eles. Quem me conhece, sabe que eu sou a legítima torneirinha: choro excessivamente. Mas esses livros realmente me tocaram. Depois desses, li um romance policial muito bom, e finalmente me senti em casa novamente. E foi com esse livro que eu percebi qual a diferença que a leitura dá para minha vida.

Ao terminar de ler cada um deles, apliquei a mensagem deles ao momento que vivia, sem nem ao menos perceber. Isso me deu a oportunidade de observar meus problemas, ansiedades e todos os outros sentimentos de outra forma, pois não analisei-os da forma que costumo fazer. Não foi aplicando meus valores nem nada do tipo. Simplesmente apliquei algo que o livro em si passou para mim, e consegui uma nova perspectiva. Percebi estar errada em algumas situações e decidi ser mais flexível em outras.

Essa é a importância dos livros para mim. Sempre vai haver algo novo para observar.
Um livro novo sempre vai te dar uma nova perspectiva.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Making momma so proud.


Ultimamente tenho escutado muitas pessoas falando sobre as crianças e seu desejo cada vez maior de crescer. Parece que elas não tem conseguido aproveitar a fase da vida pela qual passam, querendo sempre estar um passo a frente, aparentando mais do que elas de fato são. Realmente, concordo com o fato de que cada vez mais essa tendência vem crescendo, mas não tenho tanta certeza em relação aos que dizem que isso seria errado.

O maior argumento dado pelos que são contra essa pressa é que as crianças estão perdendo um período de sua vida que nunca poderão viver novamente, e que, se não bem aproveitado, pode trazer problemas no futuro. Não sei, para mim isso sempre pareceu algo natural. Talvez brincar de gente grande não devesse ser algo levado de uma forma tão séria, e sim interpretado com a mesma conotação que as crianças dão à brincadeira.

Eu, quando criança, sonhava em ser adolescente. Queria ter namorados, queria me maquiar, usar roupas lindas, pintar as unhas... Nenhum desses fatores é algo que uma criança faz com naturalidade, certo? É exatamente esse o meu ponto. As crianças sonham com o momento em que se tornarão "grandes" e, certo, brincam de ser adultos. Que mal faz a criança pintar suas unhas com esmaltes infantis ou se arrumar com as maquiagens da mãe de vez em quando? Isso se torna uma atividade divertida, que faz com que as elas aproveitem sim o momento no qual vivem (ou você já viu alguém maquiado da mesma forma que uma criança brinca de se maquiar?) sonhando com o que serão um dia. Claro, sem exageros.

Enquanto as crianças puderem se divertir dessa forma, aproveitando o presente se divertindo com o futuro, dou meu apoio. E, pais preocupados, por favor deixem essa paranóia de lado: o que seu filho faz é exatamente o que você fazia muitos anos atrás.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Política.

Eleições. De vez em quando, a galera tem a chance de fazer algo pelo país, tentando mudar as diversas insatisfações apresentadas por... bem, todo mundo. Não lembro de ter ouvido muita gente comentar sobre como a política no Brasil é ótima. Então, de quatro em quatro anos (se não contarmos as eleições para prefeito), é nos dada a oportunidade de exercer a mudança que cobramos.

Claro, sempre há o comentário "Mas pra quê? Só tem candidato corrupto mesmo..." e a imensa gama de variações que integra esse grupo. Não vou dizer que sou a pessoa mais interessada ou expert em política, porque realmente não sou. Acho que esse foi o primeiro ano em que as eleições significaram algo pra mim e eu tive algum interesse por elas, mas notei tanta coisa que me deixou tão perdida...

Todos procuram o progresso do país (ordem e progresso, não era essa a fala?), só que nessa busca, esquecem de levar consigo a seriedade. Acabam por votar em determinada pessoa porque ela tem um dedo a menos ou parece o Tiririca (mais do que seria agradável). E aí eu me pergunto, qual será nosso futuro? Como li esses dias, "o Brasil perde o país, mas não perde a piada". Triste realidade, talvez? Realmente acredito em pessoas sérias, que pesquisam e se interessam por isso, votando com seriedade em quem realmente acreditam que poderá oferecer o melhor futuro possível para todos nós.

Talvez, o que realmente esteja perdendo o Brasil, seja essa parcela que simplesmente não se importa. Ou que prefere não perder a piada.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Falso Patriotismo


Copa do Mundo. Não sei como funciona em outros países, mas se você mora no Brasil, é impossível viver sem ter sua rotina alterada por causa dela. Escolas modificam o horário das aulas, pessoas deixam de trabalhar e até consultas médicas são desmarcadas por causa dos jogos (falo por experiência própria). Nessa semana, só ouvimos falar sobre a expulsão do Kaká, a eliminação da Itália e as famosas vuvuzelas.

É claro que alguns não conseguem se conformar com toda essa alteração de rotina simplesmente por um jogo de futebol. É aí que começam a falar "brasileiro só vira patriota em época de Copa do Mundo". E metade da nação (aquela mesma nação que adora não ter aula para assistir aos jogos) concorda. Sinto muito, mas não posso dizer o mesmo. Não vou usar aquele antigo argumento do "futebol é a única coisa que o Brasil sabe fazer", porque também não acredito nisso. Ok, talvez paralisar o país inteiro por causa de uma partida de futebol seja algo desnecessário. Um certo exagero. Mas isso não quer dizer nada.

Concordo com o fato de que brasileiros não são patriotas. Onde eu moro é fácil ouvir pessoas dizendo que tem orgulho de serem gaúchas, porém é uma extrema raridade ouvir alguém comentando que tem orgulho de ser brasileiro. Por algum motivo, nosso país foi sendo desvirtuado por seus próprios habitantes, e no fim, ser brasileiro "não vale nada". Difícil será me convencer de que brasileiros viram patriotas apenas pela Copa do Mundo.

Pois os brasileiros que nunca foram patriotas nao viram patriotas nessa época. No dicionário, patriota: "Pessoa que ama a sua pátria e procura servi-la". Não vejo disso na Copa. O que eu vejo são milhares de pessoas torcendo por seu país, vibrando por vitórias, chorando por derrotas. Pessoas que se importam em fazer bem o que sabem que tem capacidade de fazer. Se eu fosse perder um centavo por todos os carros com bandeirinhas do Brasil que já vi esse ano, estaria pobre. Mas para que essas pessoas torcem? Para o time.

Simples assim. Toda essa torcida é para um time. E ao meu ver, isso nao é patriotismo. No momento em que os brasileiros em geral souberem cantar o hino, poderemos chamá-los de patriotas. No momento em que as pessoas começarem a se importar com a política do país, poderemos chamá-las de patriotas. Posso listar mais milhares de exemplos sobre que características tornam uma pessoa patriota, e futebol nunca será uma delas. Saber a escalação do Brasil no próximo jogo não torna ninguém patriota, e sim fanático.

Então, por favor, parem de reclamar sobre esse falso patriotismo inexistente. Antes disso, pensem um pouco sobre o que vocês querem para seu país. Decorem o dia da independência do Brasil, e depois venham me falar sobre patriotismo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A real sobre contos de fadas.


Com o dia dos namorados se aproximando cada vez mais, olho ao meu redor para ver o cenário caótico e depressivo que está sendo construído. Quero dizer, o dia 12 de junho traz muita felicidade para todos que irão passá-lo com seu amor (por motivos muito claros). Só não consigo entender o outro lado do dia dos namorados: o lado depressivo e melancólico que parece abater cerca de 80% dos indivíduos do sexo feminino (nesse caso, as desacompanhadas).

Juro que não entendo. Qual é o grande problema em estar sozinha, afinal? Qual a dificuldade em passar o dia dos namorados como qualquer outro dia normal, vivendo como você viveu até agora? Claro, esse dia é um lembrete gigante que diz: VOCÊ ESTÁ SOZINHA. E daí?

Meu objetivo não é escrever um texto de auto-ajuda dizendo que, mesmo estando solteira, você é linda, maravilhosa e um dia vai encontrar seu príncipe encantado. Primeiro, porque se você fosse linda, de fato teria um namorado (brincadeirinha pessoal, brincadeirinha...). Bem, brincadeirinhas à parte, voltamos para o assunto... Primeiro, eu sou uma das pessoas que nunca poderá te dizer o quanto você é linda e maravilhosa porque eu simplesmente não te conheço, e não estou em um humor adequado para ficar puxando o saco de qualquer um sensível o suficiente para ficar abalado pelo dia dos namorados. Segundo, porque eu tenho certeza de que se você fica deprimida por passar esse dia sozinha, o seu objetivo é um príncipe que venha a cavalo e seja o homem mais fofo, lindo, sexy, inteligente, respeitoso, engraçado e másculo do universo. Ou seja, você procura um homem perfeito. E um desses, vai ser difícil de encontrar.

Não quero que você me ache cética por não acreditar em príncipes (sou cética por outros motivos), porque, uma grande verdade sobre a minha pessoa, é que eu acredito sim em príncipes. Só não com esse nome, porque aí tudo fica meio old fashion demais para o meu gosto. As meninas que procuram por príncipes já criaram em suas mentes um perfeito estereótipo do que querem, tanto física quanto psicologicamente. E é aí que complica; pois o que procuram é um ideal de perfeição que não será alcançado por elas.

Agora que você me pergunta: mas você não disse que acredita em príncipes? Sim, acredito. Mas não os que seguem ideais de beleza e se comportam exatamente do jeito que suas princesas desejam. Você só encontrará seu príncipe quando largar o estereótipo criado em sua cabeça. Aí sim você o encontrará: talvez não tão bonito quanto você queria, e nem tão perfeito como em seus sonhos. Mas é seu. E o importante mesmo é o amor que une vocês dois. Você não vai encontrar um homem perfeito, mas poderá encontrar o homem perfeito para você, com todos os defeitos que você nunca desejou, porém aprendeu a conviver com. Afinal, defeitos não nos faltam, da mesma forma que amor não faltará...

Não queria que esse texto se tornasse meloso e clichê como se tornou. Mas espero que tenha feito você repensar sua obsessão pelo dia 12 de junho, e parar de procurar incansavelmente por seu príncipe vindo a cavalo. De qualquer jeito...

Feliz dia dos namorados.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Diga-me quem és, e não com quem andas

Diga-me com quem andas e te direi quem és. Já ouviu essa frase? Possivelmente, milhões de vezes. A primeira vez que você ouviu foi com a sua mãe: você estava falando sobre algum amigo que lhe trouxe problemas, ou alguma amizade considerada uma “má influência”. E então sua mãe falou isso. E tua única resposta foi: “Ai mãe, chega”. Então, um tempo depois, uma colega sua falou isso. Em algum momento esse assunto chegou, e ela quotou perfeitamente as palavras de sua mãe. A verdade é que são inúmeras as vezes que ouvimos alguém falando essas exatas palavras, e todos que já a ouviram alguma vez passaram a frase em diante. É, bem assim que o mundo funciona. Mas quantos desses que já disseram essa frase pararam para pensar sobre seu significado?

Eu realmente nunca havia refletido sobre isso. Como boa parte dos ditos populares, poucos se questionam sobre os mesmos. Pergunte para um grupo de pessoas se eles concordam com essa frase, e com certeza alguns não hesitarão antes de responder que sim. Não posso assinar embaixo.

Ok, vou dar um exemplo. Verídico, ainda por cima. Foi o que me fez questionar sobre a verdade (ou falta dela) por trás dessa frase.

Em 2009, mudei de colégio (mais uma vez). Era meu terceiro colégio, e eu sinceramente estava rezando para que tudo desse certo e não fossem necessárias mais mudanças (ou não, a verdade é que aquela adrenalina de colégio novo é tri boa). Só sei que, logo de cara, percebi que as pessoas de lá (em sua maioria, pense que também haviam algumas exceções) não tinham o meu perfil. Não mesmo. Minhas colegas ouviam as músicas que eu abominei minha vida inteira, usavam as roupas que eu nunca conseguiria usar e até se tratavam de uma forma completamente diferente da qual eu estava acostumada. Me senti um verdadeiro peixinho fora d’água. No começo, foi complicado. Foi difícil encontrar algo em comum com alguma delas. Acho que passei por algumas fases, e a primeira certamente foi a relutância. Não sei lhe dizer o que mudou para mim (provavelmente foi a idéia de que dar uma chance a elas não seria tão ruim), mas posso dizer que alguns meses depois tinha encontrado amigas. Completamente diferentes de mim, mas ainda assim amigas.

Agora, vamos aplicar aquela frase lá de cima. Diga-me com quem andas e te direi quem és? Então, seria simples presumir que eu adoro um pagode e roupa de suplex (?) só porque eu ando com meninas que fazem esse estilo. Quem me conhece, sabe que eu odeio pagode e tenho pavor dessas calças abomináveis.

Então talvez esse ditado não funcione tão bem assim. Você pode dizer que eu sou apenas uma exceção, e talvez eu seja mesmo. Mas o que eu aprendi foi que não devemos julgar as pessoas por quem elas andam com. Por mais que seja difícil. Caso contrário, precisaremos de uma margem de erro bem grande.

terça-feira, 11 de maio de 2010

O Show de... Julia?


Quando eu era criança, tinha um problema sério. Tão sério que alguns anos depois que problema já havia deixado de ser de fato um problema, cheguei a conversar com outras pessoas sobre isso, e para minha surpresa encontrei inúmeros indivíduos com a mesma paranóia que eu tinha. Bem, deixe-me explicar. Alguém já viu “O Show de Truman”? Nesse filme, Truman (um homem comum como você) descobre um dia que toda a sua vida não passa de um programa de televisão: seus amigos, sua família e todas as pessoas ao seu redor são atores contratados para criar... A vida de Truman. O show de Truman.

E esse era meu problema: eu acreditava piamente em ser protagonista de algum tipo de produção esquisita que escondia câmeras em minha casa e ditava cada palavra que os outros deveriam dizer. Realmente é um pensamento assustador para uma criança de seis anos. Hoje em dia (tendo perdido este medo) penso se não é uma característica extremamente narcisista e típica em crianças.

Digo narcisista de uma forma moderada e inocente, é obvio. Quando criança, nós não temos a mínima noção do mundo ao nosso redor. Sabemos que o Japão é muito longe e que o planeta é muito grande, mas só. Não vemos nada além de nosso próprio umbigo (o que nos levar a acreditar que somos protagonistas de uma produção megalomaníaca e afins). É claro que não estou criticando esse comportamento infantil, e seria boba se estivesse. São crianças. Mas é interessante conseguir entender como elas pensam, como eu um dia pensei. Desvendar o mistério por trás dos meus antigos sentimentos e vontades.

Nascemos e vivemos por um longo tempo acreditando em um mundo minúsculo. Apenas dando importância ao que podemos ver. Apenas dando importância a nós mesmos (vamos combinar que crianças são egocêntricas de uma forma muito inocente). Crescemos e começamos a tomar conhecimento do tamanho de nosso planeta, da quantidade de pessoas e de vidas que habitam aqui, junto de nós. É aí que os caminhos começam a se ramificar, e podemos ver os que têm ambição de fazer alguma diferença, deixar sua marca, e os que continuam olhando para o próprio umbigo (mas esse é um assunto extenso que eu deixo para outra hora).

Crescemos. Não encontramos câmeras escondidas na gaveta de meias ou dentro do pote de sucrilhos, e acabamos percebendo que talvez “O Show de Truman” não passe de um filme.

Só imagino como seria se continuássemos procurando pelas câmeras depois que a inocência infantil se foi. A única coisa que sei é que um termo muito superior à “narcisista” teria de ser inventado para descrever o lugar onde vivemos. Graças a deus crescemos.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Games e afins



Cada vez mais podemos ver vídeo games se popularizando no mundo inteiro. Com o crescimento eminente desse mercado, podemos também observar a grande variedade de jogos que vem sido criados, em virtude de agradar a diferentes faixas etárias e gêneros. Porém, percebemos também que cada vez mais jogos violentos vem ganhando seu espaço em meio aos consumidores. A grande questão é: estariam os jogos violentos gerando violência?

As opiniões são diversas, e podemos observar os dois lados. Se por um lado somos induzidos a sermos violentos, por outro temos a capacidade do discernimento, do certo e do errado. "Acho besteira essa coisa de 'video-games fazem mal para você'. Eu gosto de jogos violentos, meus amigos também e nós nunca nos metemos em briga. O problema é que os casos de gente que saí dando tiro por aí por causa de jogos ganham sempre muito destaque, mas olha quanta gente sai dando tiro por aí, todos dia, sem razão alguma? É muito fácil culpar video-game." conta o estudante de história Antônio Melo, 19.

Nem todos pensam como Antônio. Talvez o problema seja a influência dos jogos violentos em diferentes faixas etárias. O jogo com certeza não é visto e interpretado da mesma forma por Antônio, de 19 anos, quanto por uma criança, que com certeza está muito mais sujeita a se deixar ser influenciada por jogos. “Acho que sim, mas em crianças maiores, a partir de uns seis anos. Até porque todo mundo quer ter sucesso, e no videogame o jogador tem sucesso com aquela agressividade, sem ser punido por toda a violência. Toda essa exposição à violência dificulta para a criança discernir o que é saudável do que não é, eles acabam perdendo a noção de até onde podem ir sem machucar o outro.” diz a psicóloga Susana Gladys.

Inúmeras pesquisas sobre esse tema já foram realizadas anteriormente, e com certeza muitas ainda virão a serem feitas. Enquanto houverem problemas, sejam eles quais forem, serão procurados bodes expiatórios. Quando falamos de violência, talvez os video games cumpram esse papel: com certeza nunca poderemos dizer que a culpa é inteiramente dos jogos, mas sempre haverão as pessoas influenciadas.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Here we go again.

Uma coisa que sempre me incomodou muito foi esse conceito de falsidade que as pessoas tem. Um termo muito comum para designar ex-amigos, ex-namorados, ex-peguetes, ex qualquer coisa. Ou melhor: um termo para se referir simplesmente a aqueles que te desagradaram de alguma forma. Falso.

O que seria uma pessoa falsa? Depois de um pouquinho de pesquisa, cheguei a conclusão unanime: falsa é aquela pessoa que muitas vezes não exprime em suas atitudes sua real personalidade. Bom, é aí que eu começo a me incomodar. Logo aí, nesse conceito popular de falsidade. O meu problema é muito simples, e acho que qualquer um vai entender: essa coisa de ser falsa, de ser alguém que você não é, não existe! Ponto final. Principalmente se partirmos do princípio de que ninguém pode ser o que não é. Se não é, não é.

Não sei se consigo me expor com clareza, mas para mim é simples. Sabe aquela parte horrível da sua ex-melhor amiga, que te apunhalou pelas costas falando mal de ti, ou com qualquer outra ação que não corresponde a quem você achava que ela era? Pois é. Essa ação não mostra que ela é falsa. Para mim, é só mais um traço de sua personalidade, uma parte não tão boa da menina.

Ninguém é perfeito, e todo mundo sabe disso. Porém, parece que todos estamos lutando contra a aceitação desse fato. Ela não é falsa; ela só não é perfeita.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Music; nothing but music.


Quando foi que a música se tornou algo tão banal? Deixou de ser uma forma de protestar, de propor uma nova vida e novas opções para cada um de nós? Podemos ouvir grandes sucessos atuais: músicas que não dizem nada além do clichê, músicas que contam uma história de amor, ou pior, músicas que mandam você descer até o chão com o dedinho na boquinha.

Talvez o problema sejam os jovens. Mentes vazias que não conseguem pensar em nada além de si mesmos. É, talvez esse seja o motivo: seu próprio umbigo parece um lugar muito melhor para se olhar, comparado com o futuro de todos nós. Mas quer saber? Eu não me importo. Quantos dos antigos artistas fizeram musicas lindas e cheias de significado, porém com hipocrisia o suficiente para apenas falar? Não culpo os novos grupos de sucesso. Para mim é obvio que muitos deles falam com muito mais sinceridade do que outros já conseguiram falar. Falando sobre guerra ou amor, não importa. O que me importa é o ato por trás das palavras. A sinceridade.

Não quero que parem de visar progresso em nosso futuro, não quero que todos percam a esperança. O que eu realmente quero é que todos pensem antes de dar uma lição de moral. Pensem se não são os causadores do problema de que tanto falam. Alguns julgam as pessoas pelo que elas falam; palavras podem ser lindas, mas para realmente conhecermos alguém devemos prestar atenção no que elas fazem. Palavras não passam de palavras.

Acredito que todos nós estamos usando a música como desculpa. Todos nós reclamamos do funcionamento atual da sociedade sem fazer nada para mudá-lo. Não quero dar lição de moral à ninguém, mas sinceramente...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Deixe sua marca


Minha amiga fez 18 anos essa semana. Alguns dias antes do aniversário dela, perguntamos como ela se sentia prestes a se tornar maior de idade. Ela falou que era normal, e de qualquer jeito, ela odiava fazer aniversário. Ninguém entendeu porque, e a resposta foi mais filosófica do que nós imaginávamos que seria.

Ela acredita que todos nós temos algum motivo para estarmos aqui. E se ela morrer sem cumprir seu objetivo, sem deixar sua marca? Cada ano que passa ela sente como se houvesse falhado, como se houvesse ainda menos tempo para fazer a diferença.

Fiquei estupefata. Com 18 anos sua maior preocupação é deixar sua marca? Está aí algo difícil de se ver. Acho que mais gente deveria pensar como ela.

A cada aniversário, se preocupe menos com os presentes que você ganha e mais com o que você fará em relação a isso. O mundo certamente será melhor. Se nossa preocupação fosse direcionada a fazer o melhor, ou ao menos fazer algo bom! Meu irmão é escoteiro, e uma de suas regras é fazer ao menos uma boa ação por dia. Vamos nos preocupar com isso, vamos tentar fazer coisas boas e ajudar aos outros. Vamos descobrir a cura para doenças, vamos descobrir algo que mudará a história, vamos ajudar um senhor a atravessar a rua.

Vamos fazer algo para deixar uma marca.

That's the way I loved you.

He is sensible and so incredible
And all my single friends are jealous
He says everything I need
to hear and it's like
I couldn't ask for anything better
He opens up my door
and I get into his car
And he says you look beautiful tonight
And I feel perfectly fine

But I miss screaming and fighting
and kissing in the rain
And it's 2am and I'm cursing your name
You're so in love that you act insane
And that's the way I loved you
Breakin' down and coming undone
It's a roller coaster kinda rush
And I never knew I could feel that much
And that's the way I loved you


The Way I Loved You - Taylor Swift

sábado, 27 de março de 2010

A latinha


Sempre achei as crianças seres esquisitos. Quero dizer, todos amam crianças. Posso dizer que eu nunca fui apaixonada por elas, mas algumas me derretem. E eu consigo entender porque elas são tão apaixonantes; sua sinceridade, sua inocência.

O engraçado sobre elas, é que muitas vezes elas parecem prefirir o simples. Enquanto algumas pessoas, no mundo real, vivem em busca do celular mais novo, do computador mais rápido, do novo lançamento, as crianças se satisfazem com tão pouco... Dê a elas aquela cozinha de plástico que você viu na loja. Aquela que era muito cara, grande, e bonita. Tenho certeza de que a criança vai gostar. Um dia ela encontrará no chão uma latinha de coca-cola vazia. Em um instante ela estará se deleitando com as maravilhas de uma simples latinha.

Ela não se importa com a grandiosidade de seu brinquedo, ela não procura o mais caro, ela não procura o que ela possa exibir para os outros. Ela procura algo que possa diverti-la. E porque uma latinha não desempenharia bem esse papel?

Eu espero que as crianças nunca percam sua inocência. Nunca percam esse brilho, nunca percam a humildade. Talvez a culpa seja nossa; as apresentamos pequenos grandes brinquedos, deixando de lado as pequenas coisas de nosso dia a dia que podem fazer uma criança feliz.

Foto: Getty Images

segunda-feira, 22 de março de 2010

Books.





É real.

sábado, 20 de março de 2010

As (nem tão) polêmicas pulseiras

Jornais, sites e revistas falam sobre a imensa polêmica que as pulseiras do sexo vem causando. Pais proibiram suas filhas de usarem as pulseiras, escolas fizeram o mesmo. Adultos ficaram chocados com a ideia de que suas "crianças" estariam participando de algo tão... primitivo, seria a palavra? Enfim. Polêmica é o que essas pulseiras vem causando.

Porém, eu nunca entendi essa polêmica. Tempestade em copo dágua. Quero dizer; realmente é horrivel alguém usar uma pulseira colorida para determinar o que irá fazer com outra pessoa, como se fosse um jogo. Mas sinceramente... nunca ouvi falar de ninguém que tenha realmente usado pulseiras com esse motivo. Os pais, preocupados, pensam que todo mundo usa as pulseiras para isso. Alguém ouviu esse boato e ele foi rolando, até todos os adultos pensarem que a juventude atual se preocupa apenas com isso: sexo.

Fico pensando sobre as inúmeras meninas que usavam as tais pulseiras antes desses boatos começarem. Os pais de muitas delas as proibiram de usá-las, e pouco a pouco elas foram se extinguindo nas ruas. Cada um usa a pulseira por um motivo diferente, mas se uma das pulseiras for ragada por outra pessoa, quem poderia obrigar as meninas a cumprir a "penalidade" que existe por trás de cada cor?

Então, a polêmica das pulseiras do sexo existe, sim. Mas por motivo nenhum. Sei que devem existir meninas que usam as pulseiras com esse propósito, até porque o Brasil é um país grande e tem gente de tudo quando é tipo. Mas a polêmica que se criou ao redor disso foi se multiplicando, até chegar o momento em que existia a polêmica, mas não um motivo para ela.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Modinha.


Modinha. Difícil encontrar alguém que não sabe o que é. Difícil encontrar alguém que nunca teve sua banda preferida transformada em uma. Difícil encontrar alguém que nunca tenha gostado de uma.

A verdade é que 90% dos adolescentes odeia a simples menção da palavra "modinha" (mesmo que eles mesmos sigam todas as modinhas possíveis). Ninguém quer admitir que sua banda é moda, que sua série é moda, que seu livro é moda. E se não tem jeito, se você é fã de Twilight ou até Cine (?), sempre tem a frase: "Ah, mas eu gostava antes de virar modinha" (eu mesma perdi a conta do número de vezes que pronunciei essas exatas palavras).

A verdade é que modinha tem seu lado bom. Você provavelmente nunca teria conhecido aquelas bandas ótimas que atualmente adora. A "modinha" te apresenta coisas novas, das quais você vai gostar... ou não. Simples assim.

Dizem que o real real problema é: a modinha vem causando alienação aos adolescentes, que não conseguem criar (ou defender) sua própria opinião e gostam apenas porque o resto do mundo também gosta. Mas, sinceramente, não acredito que isso seja, de fato, um problema! Somos adolescentes, mini pessoas, projeto de pessoas. Ninguém precisa saber com certeza do que gosta, ninguém precisa ter uma opinião formada sobre tudo.

Acho que essa é uma fase em que as modinhas são mais do que necessárias. Talvez com elas, nós, os projetos de pessoas, encontremos um caminho mais fácil para a pergunta "quem sou eu". Conhecemos de tudo, de Cine à Twilight (esses dois de novo?). Talvez agora não seja necessário uma opinião formada sobre os dois, talvez gostar dos dois seja suficiente. Conhecendo os dois, formamos nossas opiniões. Depois de se perder, a gente se encontra.

E é assim que a fase 'projeto de pessoas' é deixada para trás.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Batendo na mesma tecla (novamente)



Hoje em dia, ser gay deixou de ser apenas uma característica pessoal de alguns. Se tornou uma qualidade, uma virtude. Afinal, todos sabem que os gays são os mais engraçados, divertidos, bonitos e purpurinados que o mundo já viu. Então, com essa aceitação enorme que a homossexualidade vem tendo, podemos dizer que o Brasil é um país livre de preconceito, certo? Nananinanão.

É bastante óbvio que atualmente as pessoas parecem mais abertas em relação a sexualidade de cada um. Mas eu acredito que o preconceito se manifesta de diversas formas. Quando algumas adolescentes saem desesperadas atrás de um amigo gay, acredito que estão tendo preconceito. Pois estão simplesmente criando um pré-conceito sobre todos os homossexuais existentes no universo. No instante em que elas dizem que querem um amigo gay pois eles são "engraçados, divertidos, bonitos e purpurinados", estão sendo preconceituosas.

Não sei você, mas como eu sempre faço questão de deixar claro, odeio preconceito. Duas pessoas tem o direito de se amar, indiferentemente de seu sexo. As pessoas tem direito de gostar de quem quiserem gostar, beijar quem quiserem beijar. Odeio aqueles radicais que dizem que deus não criou as pessoas para agirem dessa forma. Pesso desculpas aos religiosos; sei que cada um tem suas crenças bem distintas. Porém, não consigo pensar em um deus que não nos dê a liberdade de amar. Cada um ama da sua maneira, seja ela qual for.

Só porque é gay, não quer dizer que é engraçado e divertido. Muito menos purpurinado. Tenho pavor de quem busca um amigo gay, pois está apenas julgando alguém sem conhecer de fato sua essência; está julgando um estereótipo.

Algumas pessoas são gays. O fato de que você nunca vai poder mudar isso te irrita? Pois não deveria.

quinta-feira, 4 de março de 2010

She lives in her fairytale


Sempre acreditei que as pessoas só vêem o que elas querem ver. Eu sei que, infelizmente, faço parte dos que aderem a esse lifestyle. É claro que não é o tempo todo; seria impossível viver assim. Porém, em alguns momentos (principalmente os de dificuldade), parece apenas mais fácil ver o que eu quero ver, ao invés da realidade. O pior é que muitas vezes a linha entre a realidade e a fantasia é tênue. Eu sei que é ruim fazer isso, pois a realidade acaba caindo com um baque e destruindo tudo que você lutou com tanta persistência para fazer exatamente do jeito que você queria.

Sabe qual é o problema? Vidas perfeitas. Todos lutam tentando alcançar um nível de vida impossível de se chegar. Todos querem pensar que seu relacionamento, sua amizade, sua relação familiar está perfeita. Quando eu sei que tem algo errado comigo e com alguma dessas relações que me cercam, eu simplesmente não consigo falar sobre isso com ninguém. Porque, se eu falar, vai se tornar real. O problema é que já era a realidade, eu só estava lutando para não aceitá-la.

Deveríamos parar de buscar por vidas perfeitas, pois todos tem problemas. Talvez devessemos apenas aceitar a realidade como ela é, e parar de viver em nosso mundo de fantasias. E, no meio das "vidas perfeitas", encontramos algo que sempre é usado a nosso favor, mas apenas nos prejudica:

Você só vê o que quer ver.